Pesquisa feita pela Faculdade de Medicina foi entregue nesta sexta ao Ministério Público
O secretário de Saúde de São Bernardo, Arthur Chioro, entregou nesta sexta-feira (05/02) no Fórum da cidade os resultados do estudo epidemiológico dos moradores do Jardim das Oliveiras, erguido sobre um antigo lixão e onde vivem hoje cerca de 650 famílias. A pesquisa, conduzida pela FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), apontou que não há contaminação por benzeno na amostra de 30 famílias utilizada para o estudo.
De acordo com Chioro, essas famílias foram escolhidas após um amplo estudo de morbidade no local e obedeceram alguns critérios. “Os munícipes deveriam morar há mais de cinco anos no bairro, não trabalhar expostos ao benzeno e seus compostos e não ser tabagista, entre outros”, explicou. Para servir de grupo-controle, foram selecionados 27 moradores do Jardim Orquídeas que, conforme o secretário, tem características parecidas com o Jardim das Oliveiras e que seguiram os mesmos critérios eliminatórios.
Para o secretário, o resultado foi positivo. “Não houve nenhuma alteração nos níveis aceitáveis de benzeno no organismo dos participantes, mas é importante lembrar que isso não é fator determinante para apontar se há ou não contaminação do terreno”, ressaltou. Chioro afirmou ainda que a Prefeitura cumpriu a promessa de entregar o estudo e também de inaugurar uma unidade da Saúde da Família no bairro, que deve fazer o monitoramento dos moradores nos próximos anos. “Haverá um estudo de corte, que é nada mais do que continuar monitorando sinais de benzeno e também de metais pesados no sangue dessas pessoas”, explicou.
Os resultados devem ser apresentados aos moradores do bairro em reunião na próxima quarta-feira (10/02), às 20h.
Remoção - O juiz da 7ª Vara Cível, Gersino Donizete do Prado, foi quem recebeu a documentação no Fórum. “Encaminhei cópia para a promotora de Meio Ambiente, Rosangela Staurenghi, e para a desembargadora Regina Zaquia Capistano e vou analisar o material antes de dar mais detalhes”, declarou.
Já a promotora Rosangela Staurenghi afirmou que irá submeter o relatório a análise do Caex (Centro de Acompanhamento e Execução), do Ministério Público, para que seja determinado se foram utilizadas todas as normas do Ministério da Saúde previstas para estudos desse tipo. Também será enviada, de acordo com Rosangela, uma cópia para a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).
Mesmo diante do resultado do estudo, a promotora continua com a mesma opinião: se for comprovada a contaminação, as famílias devem ser removidas. “Há uma lei que prevê que não pode haver construções em áreas contaminadas. Se o estudo ambiental que deve ser feito no local comprovar que a contaminação é pontual, pode-se remover uma parte das famílias e fazer o saneamento do terreno. Mas se a contaminação estiver espalhada, é perigoso manter as pessoas nessa situação”, destacou.