Evento que começou na quinta-feira se encerra neste domingo (25/10)
Paranapiacaba iniciou na quinta-feira (22/10) o 1º Festival Latino-americano de Curtas, o Curta Neblina, competição cinematográfica que premiará curtasmetragens de até 15 minutos com o troféu “Mojica”, assim batizado em homenagem a José Mojica Marins, vulgo Zé do Caixão, que ministrará três dias de oficina para pessoas inscritas previamente. O evento vai até domingo (25/10). Palestras e exibições de filmes também integram a programação.
A ideia de realizar um festival da sétima arte no local veio dos atores, produtores e roteiristas Eduardo Scheck e Beto Besant que há três anos, durante o processo de pré-produção do curta “Sonho de Valsa” filmado no distrito de Santo André, conceberam o intuito do projeto, que é potencializar a veia cinematográfica da vila.
“O objetivo é mostrar aos cineastas que o espaço pode ser um polo de cinema, pois possui arquitetura que fornece cenário natural para filmagens”, afirmou Eduardo Scheck, responsável pela produção do evento. Ele enfatiza: “O projeto é audacioso, tivemos sorte de conseguir Mojica, Caco Ciocler, Carlos Reichenbach, Paulo Sacramento, Mayara Magri, entre outros para compor o leque de celebridades empenhadas em colaborar”. A Prefeitura da cidade apoiará a realização concedendo infraestrutura.
Ao todo, 36 obras foram inscritas no festival, somente uma da Região, uma de Cuba, uma do Equador e outra do México. O restante dos filmes é, na maioria, do Estado de São Paulo, porém, Minas Gerais, Bahia, Paraná, Ceará, Rio Grande do Sul e Rio Janeiro estão representados na competição que será julgada pelos cineastas Carlos Reichenbach, Marta Nehring, Julio Wainer, Tiaraju Aronovich e pelos atores Leopoldo Pacheco, Liz Marins e Cláudio Curi e pelo diretor de efeitos especiais Kapel Furman.
“Estimo que cinco mil pessoas compareçam ao Curta Neblina e pretendemos realizar o festival anualmente”, disse o diretor e curador da primeira edição, Beto Besant. Confira a programação completa no blog: http://curtaneblina.blogspot.com.
Zé na Neblina - Mojica chegou a gravar um comercial e uma parte de um seriado em Paranapiaca por volta dos anos 1960 e 1970. “A vila é muito nublada e o clima terrorífico era ótimo, isso proporcionou uma fotografia excelente para os trabalhos”, lembra o internacionalmente renomado diretor e pioneiro de filmes de horror no Brasil.
“Me considero um gênio do terror, meus filmes tratam de histórias que realmente podem acontecer e nunca apelo para aquilo que não tem significado”, disse o cineasta de 73 anos que foi contratado para aplicar o curso condensado de cinema para preparar psicologicamente, como ele define, roteiristas e diretores futuros. “Irei instruir os alunos para que livremente produzam curtas de cinco a seis minutos e depois irei orientá-los”, explica.
Mojica cresceu filho único e morou no cinema que o pai gerenciava. Aos 10 anos, pediu uma filmadora a manivela ao invés de uma bicicleta e desde então se dedicou aos filmes. “Via o público gritando durante a sessão de terror com Boris Karloff e Bela Lugosi e achei que isso era mais forte que o riso, então fiz minha estreia com ‘Juízo Final’, meu primeiro curta que utilizava vermes de goiaba na história”. Informações 7289-6765 e 4991-4569.