26/08/2015 19:04

Alckmin desiste do Expresso ABC; Metrô segue no papel após um ano

Por: Bruno Coelho (bruno@abcdmaior.com.br)

Propostas iriam diminuir lotação e facilitariam acesso à Capital

O Expresso ABC funcionaria paralelo à Linha 10 da CPTM. Foto: ROdrigo Pinto

As obras para melhoria da Mobilidade Urbana no ABCD prometidas pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ainda seguem sem previsão de sair do papel. O Expresso ABC da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que funcionaria paralelo à Linha 10 – Turquesa (Brás – Rio Grande da Serra), foi descartada pelo Estado nesta semana. Enquanto isso, o início da construção da Linha 18 – Bronze do Metrô (Tamanduateí – Djalma Dutra), que ligará a Região à Capital, segue travado um ano após a assinatura da PPP (Parceria Público-Privada).

Idealizado desde 2006, o Expresso ABC serviria para desafogar o sistema de trens e, originalmente, teria apenas seis estações, sendo três no ABCD – Mauá, Santo André e São Caetano – e três em São Paulo – Tamanduateí, Brás e Luz –, com 25,2 quilômetros de extensão. Prestes a completar uma década, porém, o Estado anunciou no começo a exclusão de 32 projetos de PPP (Parceria Público-Privada), entre elas, a linha que atenderia a Região.

O Expresso ABC também cumpriria outra promessa realizada pelo ex-secretário de Transportes Metropolitanos Jurandir Fernandes, em 2013, no Consórcio Intermunicipal. Desde o fim de 2011, a Linha 10 deixou de operar até a Luz, frustrando os usuários, que se viram obrigados a fazer baldeação no Brás para seguir viagem. No entanto, o então responsável pela Pasta afiançou: “Quando o Expresso ABC estiver pronto, o nosso objetivo é voltar (a Linha 10) para Luz.”

José Estevam pega o trem por volta das 5h da manhã. Foto: Rodrigo Pinto
José Estevam pega o trem por volta das 5h da manhã. Foto: Rodrigo Pinto

O mecânico José Estevam Gazinhato, 56 anos, sai toda manhã de Mauá para usar a Linha 10. Além da lotação no horário de pico, o usuário criticou a lentidão e o cancelamento da obra do Expresso ABC até a Luz. “Isso também atrapalha os usuários da zona Leste das linhas 11 e 12 (– Safira da CPTM), que vêm já abarrotados de gente e agora dividem espaço com usuários do ABCD”, pontua.

Cuidadora e acompanhante de idosos, Creusa Silvestre, 51 anos, reside em Ribeirão Pires e acredita que o Expresso ABC aliviaria a lotação da Linha 10 nos horários de pico. “Pego o trem lotado, porque geralmente muitos passageiros de Mauá vão para Rio Grande da Serra e voltam (no sentido Capital) sentados. Seria ótimo uma linha expressa para chegar no horário ao trabalho, porque os trens também demoram”, considera.

Creusa Silvestre sofre com lotação no trem na ida ao trabalho. Foto: Rodrigo Pinto
Creusa Silvestre sofre com lotação no trem na ida ao trabalho. Foto: Rodrigo Pinto

Morador de Santo André, o arquiteto Jaime Gonçalves, 54 anos, fazia o trajeto passando pela Luz, mas agora descreve problemas para fazer a baldeação para a Linha 11 – Coral, vinda da zona Leste já com problemas de lotação. “Agora é preciso fazer a transferência (no Brás), mas o excesso de passageiros faz demorar ainda mais a subida pelas escadas para pegar o trem que vai até a Luz”, relata.

Em nota, a Secretaria de Governo do Estado, responsável pela gestão das PPPs, informou que o Palácio dos Bandeirantes não está excluindo projetos e sim “ideias de empresas ou consórcios privados”.


Um ano apenas no papel

O Metrô do ABCD teria formato de monotrilho, a exemplo da Linha 15. Foto: Guilherme Lara Campos/GESP

A Linha 18, que ligará São Paulo ao ABCD, passando por São Caetano, Santo André e São Bernardo, completou um ano após a assinatura da PPP e ainda no papel. Em 22 de agosto de 2014, Alckmin firmou o contrato com o Consórcio Vem ABC, responsável pelas obras, que venceu a concorrência internacional pela parceria.

Na ocasião, Alckmin avaliou que a fase de desapropriações seria rápida, uma vez que o monotrilho teria o traçado feito por meio de vias elevadas. “(O início) é imediato. Agora é já iniciar a desapropriação, montar canteiros. Mas acho que a população vai sentir em 90 dias”, projetou.

Em nota, a Secretaria de Transportes Metropolitanos do Estado atribui a situação à espera pela liberação de recursos da União, via financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Mobilidade.

O Ministério das Cidades informou que não existe atraso nos pedidos de empréstimo e de recursos do Orçamento Geral da União para a Linha 18 e que essas demandas estão em análise nas áreas técnica e econômica.

A Linha 18 é prevista para partir da Estação Tamanduateí, na Capital, com conexão com a Linha 10 da CPTM e Linha 2 – Verde do Metrô (Vila Prudente – Vila Madalena) até a Estação Djalma Dutra, em São Bernardo. Uma vez pronta na totalidade, o ramal metroviário terá extensão de 15,4 quilômetros, com 13 estações e atenderá cerca 340 mil passageiros por dia.


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