26/08/2015 21:24

‘Elite quer o golpe contra Dilma para manter seus interesses’

Por: Gislayne Jacinto (gislayne@abcdmaior.com.br)

Opinião é do deputado estadual Luiz Turco (PT), que criticou intolerância contra presidente

De acordo com deputado, governo de Alckmin faz o mesmo que o anterior: nada. Foto: Rodrigo Pinto
De acordo com deputado, governo de Alckmin faz o mesmo que o anterior: nada. Foto: Rodrigo Pinto

Apesar de reconhecer a crise política pela qual passa o País e defender um diálogo maior do Partido dos Trabalhadores com a sociedade, o deputado estadual e presidente do PT de Santo André, Luiz Turco, criticou o fato de a elite brasileira usar da intolerância e do ódio para tentar um golpe contra da presidente Dilma Rousseff (PT) como forma de manter seus interesses. Abaixo segue íntegra da entrevista concedida ao ABCD MAIOR.

ABCD MAIOR - O senhor está na Assembleia Legislativa há cinco meses. Como se dá a atuação da oposição?

Luiz Turco - Temos uma dificuldade muito grande, porque a bancada do PT encolheu de 24 para 14 deputados, e nesse bloco há parlamentares de primeiro mandato, como é o meu caso. Se somarmos todos os deputados de oposição, teremos 18 parlamentares de um total de 94 cadeiras. Então, até podemos ter debate ideológico por lá, mas dificilmente revertemos um resultado a favor do governo Geraldo Alckmin (PSDB). Hoje, a bancada do PT cumpre papel de questionar muito os projetos para ver se consegue minimizar os impactos aos trabalhadores, buscando apresentar emendas e debates propositivos para aprovar algo menos danoso à sociedade.

Como atenuar essa desvantagem na Assembleia com uma oposição reduzida?

Apesar de ser filiado ao PT por muitos anos, acho que a luta não se dá dentro Assembleia, e sim fora dela. Estou tentando construir o meu mandato para nos organizamos fora do Legislativo Estadual por meio do partido e dos movimentos sociais organizados. Tenho andado muito pelo ABCD, pelo Estado de São Paulo, até para discutir a crise do PT e do governo com os movimentos sociais. É isso que vai fazer com que o partido faça uma oposição mais qualificada. Porque dentro das quatro paredes da Assembleia, a situação é muito difícil. Logo que começamos, tivemos a greve dos professores organizada pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo), quando houve a ocupação do Legislativo. Então, quanto mais a gente pressionar a Assembleia com movimentos sociais organizados,mais qualificado será o papel de oposição ao PSDB.  

E como está o começo do segundo mandato do governador Geraldo Alckmin?

O governador está fazendo a mesma coisa que fez no governo anterior; ou seja: nada. Os movimentos sociais não têm atenção, ele não recebe ninguém. É uma gestão morna, mas que, ainda assim, tem uma articulação muito forte em todo o Estado. O próprio Alckmin percorre a várias regiões de São Paulo e o PT precisa fazer o mesmo. Esse é o principal desafio do partido.  

Sendo assim, quais são as principais dívidas do governo do Estado com a população?

A principal falha é que existe muita promessa e pouca realização. do. Por exemplo, o orçamento do ano passado não foi cumprido; nenhuma das 17 metas para o ABCD foi colocada em prática. A linha 18 do Metrô, que ligará a Capital a três cidades da Região, até aqui é somente conversa. E isso se repete em todo o Estado.

Mas, então, como explicar que Alckmin tenha conseguido a reeleição ainda no primeiro turno das eleições do ano passado?

Apesar de tudo, o governador tem presença política, além de ser blindado pelo Ministério Público, pelo Poder Judiciário e pela grande imprensa. Se ligamos a televisão ou lemos os principais jornais do Estado de São Paulo, parece que a Assembleia Legislativa sequer existe. O que existe em termos de instituição na mídia é o governo federal, a Câmara dos Deputados e o Senado, além das câmaras municipais. Sobre os escândalos do PSDB, como o Trensalão (como é chamado o esquema de cartel para licitações do Metrô e da CPTM) e a greve dos professores, a imprensa não teve interesse em cobrir.  

Já existe um posicionamento da bancada do PT sobre as dificuldades enfrentas pelo governo da presidente Dilma Rousseff?

Eu considero que a crise é mais política do que econômica. O Brasil passa por uma crise institucional, onde temos uma Câmara Federal extremamente conservadora. Uma pena, pois em 2013, a juventude foi às ruas pedindo mudanças. Então, temos aí as chamadas bancadas da bala, evangélica, ruralistas, dos empresários. E isso é o pior o que poderia ocorrer no Brasil. Ainda temos um setor elitizado no País que não se conforma com o tempo que o PT está no governo federal. E nisso há o preconceito e o ódio. Claro que o PT errou. Acho que o partido não deveria ter lançado candidato (o deputado federal por São Paulo, Arlindo Chinaglia) à presidência da Câmara dos Deputados. Um acordo com os setores progressistas no Legislativo seria o caminho mais fácil.  

Como fazer para mudar essa situação?

A crise não é apenas a relação do governo federal com o Congresso Nacional, que é apenas uma parte dela. Temos setores da elite brasileira que têm apostado muito nesse desgaste do PT e da Dilma, para atingir o objetivo deles, que é colocar uma condição que atenda aos seus interesses, entre eles, o impeachment e a manutenção da crise política. Mas o PT vai fazer o enfrentamento.  

Mas o clima político está muito acirrado. Houve até mesmo atentado a bomba contra a sede do Instituto Lula.

Em qualquer outro País que tivesse ocorrido esse atentado, já se teria descoberto quem foi o autor desse ato. Mas ninguém investiga; falam que foi apenas uma bomba caseira. Há setores da imprensa, além do PSDB, que fala que foi o próprio PT quem orquestrou esse atentado e ninguém fala nada. Então, faltou uma ação mais dura do governo federal e da Polícia Federal para investigar. Por isso, digo que cometemos erros, embora tenhamos mais acertos por meios das políticas sociais e com diversas ações bem sucedidas pelo governo Dilma. Mas o PT hoje está enfraquecido e, para dar essa reviravolta, precisaremos recuperar a imagem do partido. No entanto, para isso.

O atual momento político do Brasil vai influenciar nas eleições municipais de 2016?

Vai, sim. Apenas não sei o tamanho da influência, porque não são todos os municípios que estão contaminados pela conjuntura nacional, mas é claro que a cidade de São Paulo será contaminada nesse cenário, por exemplo. O que o prefeito Fernando Haddad (PT) apanhou pela política das ciclovias, que cada vez mais ganha o apoio da população.

E como enxerga a eleição em Santo André, tendo o prefeito Carlos Grana (PT) disputando reeleição, mas com muitos adversários pela frente?

Acho que o Grana acertou nas últimas mudanças no governo, colocando figuras políticas para ajudar na articulação. Dialogamos com partidos políticos para compor uma frente ampla. Temos o próprio prefeito, além do Carlão e o Arlindo, um time que tem dialogado com as legendas.


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entrevista PT política partidária golpe político

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