15/02/2009 00:00

Preço do alumínio afeta bolso de catadores

Por: Cinthia Isabel e Vinicius Morende ()

Queda no consumo é apontada como motivo para a redução no valor

A queda no consumo fez o preço das commodities metálicas cair nos últimos meses. A frase pode não chamar a atenção de todos, mas fez catadores de materiais reciclados se preocuparem, especialmente quem vende latinhas de alumínio. Acontece que o mercado internacional fez o quilo do alumínio cair pela metade no ABCD, de R$ 3,80 em 2008 para R$ 1,70 no mês passado.

Com isso, a renda dos trabalhadores das cooperativas de reciclagem também teve queda. Lindalva da Silva, que trabalha na triagem dos materiais na Cooperlimpa, em Diadema, conta que antes do alarde da crise financeira mundial sua remuneração era de R$ 600 mensais. Agora recebe R$ 300 para trabalhar das 7h às 16h, de segunda a sexta-feira. “Estamos trabalhando mais e o dinheiro não vem. Minha estimativa é de que a situação permaneça por apenas três meses”, opina a moradora do bairro Jardim Bandeirante e uma das fundadoras da cooperativa.

O presidente da Cooperlimpa, José Lacerda Borges, não está tão otimista quanto Lindalva. Para ele, não há perspectivas de melhora e a situação deve durar seis meses. Borges afirma que todo fim de ano existe a tendência de queda no preço do material, mas que volta a crescer no início do ano. “Isso não aconteceu em 2009. Estamos entregando o produto praticamente de graça. O salário de hoje não condiz com os gastos que temos.”

Situação - Especialistas justificam que a comercialização de metais como o minério de ferro e o alumínio têm relação muito forte com o nível de atividade econômica. “Desde o início da crise financeira norte-americana, o consumo dos materiais caiu muito, principalmente, nos Estados Unidos e na Europa. Com a queda do consumo e a queda da procura pelo material, o preço cai”, explica o analista de investimentos da Gradual Investimentos, Paulo Tavares.

Outro cooperado que sente na pele os sinais da crise é José Raimundo dos Santos, 44 anos. O prensista trabalha há um ano na Cooperlimpa e comentou que até janeiro seu salário fixo era de R$ 750. Já em fevereiro, Santos recebeu R$ 150 a menos. “Tenho perspectivas que a situação vai melhorar. Ultimamente, tenho encontrado mais material que o habitual.”

O presidente da Cooperlimpa ressaltou que essa é a pior situação que a cooperativa já enfrentou. Lacerda afirma que o preço de alguns materiais diminuiu até 70%. Para não levar mais prejuízo, ele resolveu elaborar uma estratégia de prensar e estocar as latinhas para esperar o preço do alumínio subir no mercado. “Os catadores da rede de cooperativas (Rede ABC) está pensando em enviar um documento para Brasília cobrando benefícios do governo federal, a fim de superarmos essa crise”, apontou.
 
Explicação - De acordo com o analista de investimentos da Gradual Investimentos, Paulo Tavares, o mercado de reciclagem tem sido diretamente afetado, pois é a ponta mais frágil da cadeia produtiva do alumínio. “Geralmente, o trabalho de reciclagem é feito por pequenos agentes, que atuam de modo pulverizado, com poder de fogo muito baixo comparado às siderúrgicas.”

Para o analista, enquanto no mercado aquecido havia um balanço de forças, no mercado nervoso as grandes indústrias dominam o setor. “Provavelmente, deve ser por isso que o preço da sucata está caindo mais do que o do mercado normal.” No mercado internacional, a cotação do alumínio vem caindo constantemente e na semana passada atingiu a menor cotação dos últimos seis anos.

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