28/04/2009 00:00

Teatro do Oprimido resiste à falta de apoio em Sto.André

Por: Liora Mindrisz (liora@abcdmaior.com.br)

Grupo tenta sobreviver por conta própria; dos 70 participantes, restaram 18

Após perder o apoio da Prefeitura de Santo André, apenas uma formação do Teatro do Oprimido resistiu aos problemas e continua o trabalho por conta própria. Os demais cinco grupos que existiam em 2008 não sobreviveram aos percalços ocasionados pela falta de materiais, transporte e local para ensaiar.

A técnica democrática de fazer teatro e formar cidadãos chegou à cidade em 1997 com a vinda do seu idealizador, o dramaturgo brasileiro Augusto Boal. Após 12 anos de existência, com a criação de grupos populares vindos principalmente da periferia, os 70 integrantes perderam o apoio e agora são apenas 18 resistentes.

Os ‘lutadores’ formam um grupo persistente do bairro Cata Preta. Sem a sala de ensaio que sempre foi utilizada no Cesa (Centro Educacional de Santo André), buscaram ajuda de outras formas. Mesmo tendo conquistado posto de referência internacional, hoje caminham 40 minutos para ensaiar no quintal do tio de uma das integrantes no Sítio dos Vianas, que “ao menos é coberto”. “Já tivemos mais apoio, mas a Prefeitura nunca deixou de nos ajudar com material ou passagens para viagens. Já fui até o Senegal e a Cuba levar essa experiência”, conta o diretor do Grupo, Armindo Pinto.

A explicação que Armindo e os jovens receberam da atual Administração é que tudo aquilo que não era curso oficial não teria direito a usar os espaços até a finalização de um balanço. “Hoje, até as atividades voluntárias já ganharam espaço, menos nós”, disse. “Estávamos ensaiando na quadra do Cesa e agora não querem deixar nem esse espaço. Eles resistem porque são um grupo de jovens de 14 a 18 anos que não querem parar. Perguntaram se eu continuava e eu quis.”

Daqui para frente, Armindo conta que seguirão por novos caminhos. Com apoio de associações e grupos que sempre ajudaram, agora vão administrar o próprio cachê.

A Prefeitura de Santo André não respondeu aos questionamentos do ABCD MAIOR sobre o apoio ao grupo. Para entrar em contato, o Teatro do Oprimido disponibiliza o email teatroprimido.sp@uol.com.br .

Frateschi - O secretário de Cultura de São Bernardo, Celso Frateschi, comandava a mesma Pasta em Santo André em 1997, exatamente quando trouxe Augusto Boal e o Teatro do Oprimido para a cidade. Esta gestão e as que se seguiram mantiveram o apoio público ao grupo. Ao tomar conhecimento da atual situação, Frateschi lamenta a atitude da nova Administração. Mesmo assim, se mantém otimista. “Eu acho uma pena, mas não acredito que o grupo vá se desativar. Eu espero que eles, por conta própria, continuem. Torço para isso, para que consigam uma forma independente da Prefeitura”, disse o secretário.

“Além de gestor, eu sou ator. E como ator, eu acho que devemos persistir sem o apoio público, batalhar e esperar o momento melhor para voltar a ter esse apoio”, contou. “O recado que eu daria agora a eles é de não desanimar, de continuar junto e buscar formas de sobreviver. Me lembro que na época que a gente organizou os primeiros grupos do Teatro do Oprimido, isso aconteceu muito em função do Orçamento Participativo”, lembra. “Acredito que eles prestaram um grande serviço para Santo André”. Frateschi conheceu Boal no Teatro Arena de São Paulo, em 1980.

Em entrevista ao ABCD MAIOR em fevereiro, o secretário contou que tem orgulho dos artistas e produtores de Santo André e que este “foi um dos motivos que fez aceitar o convite do Marinho (prefeito de São Bernardo)”.

Na época da formação do secretariado em São Bernardo, Frateschi leu sobre a manifestação que os cidadãos organizaram em Santo André com o objetivo de tentar um diálogo com a nova Administração. “Com muito orgulho, vejo que as áreas que estavam representadas nessa manifestação cultural eram oriundas de equipamentos que nós construímos no governo Celso Daniel, desde a primeira gestão. A gente percebe que realmente mudou, conseguimos fazer”, disse.

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