25/01/2016 20:41

São Bernardo faz jornada de combate à intolerância

Por: Redação (pauta@abcdmaior.com.br)

Iniciativa é resposta a uma série de agressões a exposições artísticas

por Sonia Nabarrete

A Jornada contra a Intolerância começa oficialmente nesta sexta-feira (30/01), a partir das 15h, com uma roda de conversas entre coletivos da cidade que militam em diversas frentes e estarão reunidos na Gibiteca Eugênio Colonnese. A programação do movimento, que segue até o final do ano, ainda está aberta, mas o objetivo já está bem definido: responder às agressões que vêm acontecendo em São Bernardo, tendo como alvo obras de arte expostas em equipamentos públicos.

“As demonstrações de intolerância vêm crescendo e vão desde mensagens dizendo que não gostaram de ver um filme no cineclube que tem como tema a homoafetividade até vandalismo com obras artísticas”, esclareceu Alexandre Nogueira, que participa da coordenação da Jornada contra a Intolerância.

A cultura regional será grande aliada na luta contra diversos tipos de intolerância, como a racial, de gênero, política e religiosa. Foto: Amanda Perobelli

Ele lembra que, em 2014, o alvo foi a exposição O Ignóbil em Quadrinhos, do artista Dablio C, com foco em crítica social, que ocupou o saguão do Teatro Elis Regina, com tiras, quadrinhos e cartuns. “Alguns visitantes, além de criticar no livro de presença, chegaram a virar as obras para a parede”, contou Nogueira.

No fim de 2015, a agressão motivada pela intolerância atingiu três obras expostas na Gibiteca Eugênio Colonnese. Eram desenhos que retratavam Floriano Peixoto, João Ramalho e Eduardo Cunha, dentro da mostra Super Heróis, que receberam jatos de tinta. A exposição tinha o objetivo de apresentar trabalhos do Grupo Traço, que reúne artistas usuários do Caps (Centro de Atenção Psicossocial), que desenvolvem trabalho em artes plásticas sob a coordenação do Nutriarte (Núcleo de Trabalho e Arte).


Iniciativa partiu de funcionários da Cultura

A Jornada contra a Intolerância foi motivada pelos próprios funcionários da Secretaria Municipal de Cultura, que se sentiram incomodados com uma série de eventos em que obras artísticas foram agredidas”, explicou o titular da pasta, Osvaldo de Oliveira Neto. Para ele, era necessário tomar uma atitude para evitar o crescimento da onda de intolerância. “Hoje é uma tela, amanhã uma pessoa, ou várias a serem atingidas”, disse.

O secretário lembra que o uso de redes sociais deu maior visibilidade aos preconceitos que as pessoas carregam. “As opiniões, que antes eram dadas pessoalmente em grupos pequenos, agora atingem um número incalculável de pessoas via internet, onde há intolerância de todo tipo: racial, política, religiosa, de gênero, e as principais vítimas são os grupos que representam minorias.”

Para Neto, a diversidade é necessária, bem-vinda, e não deve apenas ser respeitada, mas aplaudida.

“É muito bom que uma pessoa seja diferente e pense de forma diferente de outra. Isso faz parte da dinâmica da vida em sociedade e dá sabor à existência que, do contrário, seria muito chata”, afirmou ele.

DEBATE CIVILIZADO

Na opinião do secretário, os embates entre diferentes é inevitável, mas deve ocorrer de maneira civilizada.

A Jornada contra a Intolerância pretende contribuir para essa mudança de comportamento, com uma ampla discussão. “Ninguém tem uma receita. Vamos ouvir representantes de vários segmentos da sociedade, coletivos, a rede de polos culturais, escritores, e vamos trabalhar em conjunto a outras secretarias porque o tema interessa e precisa da participação de todos”, disse o secretário, que quer levar a questão da intolerância como pauta para ser discutida em eventos realizados na cidade, como a aula magna do Centro Livre de Artes Cênicas.

Neto lembra que tolerância é algo a ser trabalhado no cotidiano de todo cidadão, em um exercício que nunca termina, e a cultura pode contribuir muito na formação de novos valores que tenham como base a ética e o respeito à diversidade.


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