02/01/2014 00:00

Feira Livre do Vinil de Sto. André completa marco de 100 edições

Por: Redação (pauta@abcdmaior.com.br)

Rumo aos dez anos de atividades, organizadores planejam ações especiais para as comemorações da data durante o ano de 2014

 

Há um dito popular que sentencia: paixão não se discute. Certamente, a forma de se consumir música se encaixa nesta afirmação. Há pouco menos de uma década, as fábricas de LP, ou os discos de vinil como são conhecidos, encerraram as atividades e deixaram imenso público órfão, principalmente colecionadores de plantão que estão sempre em busca da próxima raridade.

 

Na Região, a cidade que abriga o maior número de sebos de discos é Santo André, seguida de São Bernardo. Nas demais cidades há um ou outro local onde é possível encontrar alguns LP’s. Mas, para o amante do vinil que reside no ABCD, a meca dos discos raros está nas lojas da Capital. Tendo isso em vista, alguns amigos de Santo André colocaram uma ideia em prática: realizar uma feira de vinil na cidade.

 

A primeira foi colocada em prática em 2004 com o apoio da prefeitura da cidade e contou com representantes de sebos da Região e da Capital. A resposta do público foi tão grande que o evento chegou à centésima edição em dezembro. “Ao longo do tempo perdemos o apoio do poder público. Conseguimos uma parceria com os lojistas da Galeria Studio Center, onde a Feira Livre de Vinil de Santo André ocorre uma vez por mês”, destacou César Guisser, que ao lado de Pedro Provazzi organiza o evento.

 

A cada mês, cerca de 25 expositores de São Paulo, Região e outras localidades do País trazem para a cidade inúmeras raridades e novidades da música no formato dos bolachões. Por vezes, o comprador é obrigado a olhar banca a banca para  analisar todas as opções e rezar para que o disco que quer comprar não tenha sido comprado por outro colecionador.

 

Evento é referência Região - Guisser destacou que a feira abriu portas para que os organizadores se tornassem referência no assunto na Região. “Recentemente, recebi uma coleção de aproximadamente seis mil discos de 78 rotações, nos quais constam títulos de Celi e Tony Campelo, Roberto Carlos, Wanderléia, Sérgio Reis, entre outros. A pessoa que fez a doação entrou em contato comigo, por conta da feira”, contou.

 

O que era para ser um local para aquisição de raridades, também é palco para amizades e trocas de informações entre colecionadores. Em apenas uma volta pelos corredores da galeria é possível ver vários grupos de apreciadores de música conversando sobre as compras. “Só me descobri colecionador quando participei da primeira edição da feira, pois muitos me disseram que eu tinha algumas raridades”, relembrou o organizador.

 

Para o lojista Alexandre Lemos Belforti, que esteve presente em quase todas as edições da feira, o evento ajudou na aproximação com os clientes da Região. “Muitos já compravam comigo antes. Claro que houve um aumento da clientela. Você mesmo só passou a comprar comigo depois da feira”, afirmou fazendo referência a este repórter que também coleciona LP’s.

 

Bolachões voltam a ficar na moda - Aqueles que pensam que na feira só há opções para os roqueiros de plantão, é possível encontrar títulos raros de soul, funk, MPB, blues, sertanejo, disco e outros estilos musicais. “O que reina é o rock, mas sempre há os que procuram algo diferente”, destacou o lojista Belforti. Na última edição, um comprador passou em todas as bancas procurando discos de chorinho e saiu do lugar com pelo menos um disco em mãos.

 

Já os que pensam que discos de vinil são sinônimos de velharias, Alexandre destacou que nos últimos anos há um número crescente de compradores que não eram vivos quando o LP deixou de ser prensado no Brasil (em 1996). “Muitos vêm com os pais e escolhem as reedições em 180 gramas”, disse ao fazer referência à nova gramatura utilizada para prensar os itens.

 

Em julho de 2014, a Feira Livre do Vinil de Santo André completa dez anos de atividades. Uma comemoração com oficinas, shows e palestras está sendo planejada pelos coordenadores. “Por enquanto estamos no campo das ideias. Precisamos analisar como vamos viabilizá-las”, disse Guisser.

 

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