09/05/2017 10:26

Encontro discute o avanço conservador na Cultura

Por: Marina Bastos (marina@abcdmaior.com.br)

‘Cronistas do Tamanduateí’ reunirá três mulheres atuantes na literatura e na cultura

Em sentido horário: Ana Aparecida; Ana Mesquita; o mediador Marcelo Mendez; e Raquel Quintino. Foto: Divulgação/Montagem de Eduardo Kaze
Em sentido horário: Ana Aparecida; Ana Mesquita; o mediador Marcelo Mendez; e Raquel Quintino. Foto: Divulgação/Montagem de Eduardo Kaze

Em sua segunda edição, o encontro Cronistas do Tamanduateí reunirá, na Casa da Palavra, três mulheres que bem representam a classe trabalhadora da área de literatura, cultura, e também da educação. Com mediação do jornalista do ABCD MAIOR- Marcelo Mendez- Ana Aparecida Oliveira, Ana Mesquita e Raquel Quintino participarão do debate cujo tema é “Intolerância às diferenças e o avanço do conservadorismo nas políticas culturais do ABCD”.

A mesa de debate será composta por um time de peso: Ana Aparecida Oliveira é especialista em literatura, professora e escritora; Ana Mesquita é jornalista, produtora cultural e mestre em Políticas Públicas pela UFABC. Já Raquel Quintino é socióloga, mestre em comunicação social, educadora popular e pesquisadora de cultura digital. São mulheres que, cada uma com sua trajetória intelectual e operária na Região, apresentarão seus olhares sobre a inegável força que as pautas conservadoras ganharam no mundo, no País, e no ABCD.

Para Ana Aparecida, a importância em debater o tema é dar voz às minorias que são comumente caracterizadas por sua baixa representatividade na política institucional e pela dificuldade de acesso a políticas públicas necessárias para sua garantia de direitos. “O que vemos hoje no Brasil é um projeto de país que esmaga essas minorias, que tende a afastá-las da esfera representativa e a retirar seus poucos direitos conquistados. Inserido no contexto brasileiro, o ABCD não escapa a essa realidade. Precisamos dialogar e encontrar as nossas próprias saídas, considerando as particularidades, a diversidade e as necessidades específicas dessa Região”, considera.


Literatura conservadora, intolerante e excludente

Trazendo a discussão para o campo da literatura, Ana Aparecida acredita que a tradição literária no Brasil também foi formada por meio do conservadorismo, da intolerância e da exclusão. “Essa tradição não somente ainda existe, mas permanece reproduzindo o mesmo rigor e segregacionismo. Mulheres, negros e outros sujeitos socialmente marginalizados demoraram a compor o cânone literário brasileiro e ainda hoje constam em menor número neste seleto conjunto de autores e obras consideradas legitimamente literárias”, disse.

Nesse sentido, a literatura por si só não é capaz de frear o conservadorismo, já que em grande parte também é fruto dele. “Mas nós, que produzimos, difundimos, estudamos e nos entusiasmamos com a literatura podemos nos empenhar em criar alternativas para que ela seja acessível a uma diversidade de leitoras e leitores que possam se identificar com a literatura produzida por novas autoras e autores”.


Cronistas do Tamanduateí- Parte 2

Cronistas do Tamanduateí é uma série de diálogos criada para debater temas pertinentes a Santo André e a toda Região. Essa é a primeira edição na Casa da Palavra (a primeira -lotada- foi na Livraria Alpharrabio) e para o mediador Marcelo Mendez, ter essas três mulheres numa mesa de debate “é um luxo”. “Raquel Quintino, Ana Aparecida e Ana Mesquita são três das grandes profissionais que o ABCD tem. Creio que o povo que for vai gostar bastante”.

Sobre a importância de debater o tema do encontro, o cronista pondera que em tempos em que a truculência exacerba-se, é importante criar espaços de troca de ideias. “Para que se dialogue, se debata, se gere algum tipo de reflexão acerca de assuntos acometem a sociedade. A importância, portanto, é essa: de abrir um canal de diálogos com o público”.

Veja como foi a primeira edição, no vídeo produzido pela 'Redatoria Gonzo':


Serviço

Cronistas do Tamanduateí

Quarta-feira (10/05), a partir das 19h30 na Casa da Palavra (praça do Carmo, s/n - em frente à Igreja do Carmo- Centro de Santo André).

A participação é gratuita.

Mais informações no evento do Facebook.


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Tags:
cultura política cultural santo andré literatura

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