19/08/2015 22:16

Associação público-privada reativa os estúdios Vera Cruz

Por: Rafael Revadam (rafael@abcdmaior.com.br)

Empresa Telem é responsável por transformar estrutura abandonada em um complexo audiovisual

Em 1997, elenco e produção trabalham nos bastidores do filme A Hora Mágica, de Guilherme de Almeida Prado; a trama do longa mistura amor, crime e arte. Foto: Acervo SBC

A história começa na década de 1950. Vislumbrando um cinema tipicamente brasileiro, os produtores Franco Zampari e Francisco Matarazzo rumaram a São Bernardo carregando câmeras e sonhos. Da ideia nasceu a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, que permaneceu em atividades por cinco anos – de 1949 a 1954, e revelou grandes nomes da atuação nacional, como Tônia Carrero e Anselmo Duarte.

Mas quando as dívidas ficaram maiores do que a bilheteria, o Vera Cruz foi obrigado a fechar as portas. 61 anos depois, o complexo de estúdios volta a ativa. Através de uma parceria público-privada, ele se prepara para retomar as atividades, e convida produtores, artistas e investidores interessados a gravar seus nomes em mais um capítulo da história brasileira do audiovisual.

“Esses estúdios foram criados há mais de 60 anos por uma dupla de visionários, Franco Zampari e Francisco Matarazzo. É de se imaginar quantas pessoas disseram na época que eles estavam embarcando numa aventura, torrando dinheiro com algo impossível. Onde já se viu competir com o cinema de Hollywood a partir do Brasil? Mas eles tentaram, deixaram um acervo, produções que levaram milhares de pessoas aos cinemas. Mostraram que era possível fazer filmes com personagens brasileiríssimos”, discorreu o ministro da cultura, Juca Ferreira, em evento de reativação do Vera Cruz.

Por meio de uma concessão durante os próximos 30 anos, a empresa Telem S.A. (Técnicas Eletro Mecânicas) será a responsável em não só retomar as atividades cinematográficas, mas expandir suas atividades em convergência com as novas plataformas digitais e culturais.

Antigos equipamentos para projeção de produções cinematográficas. Foto: Acervo SBC
Antigos equipamentos para projeção de produções cinematográficas. Foto: Acervo SBC

Com a Telem, o Vera Cruz se tornará um complexo artístico e produtivo audiovisual. Os aproximadamente 46 mil metros quadrados serão distribuídos entre sete estúdios, um centro cultural com teatro, depósitos e locação de equipamentos, além da nova sede do CAV (Centro de Audiovisual) e incubadora de empresas. “As obras vão se iniciar neste ano. O que fica pronto primeiro é o centro cultural. Então, em 2016, esse centro já estará funcionando. E, a partir daí, os estúdios começam também a entrar no ar”, revelou Fernando Fontes, representante da Telem. São estimados cinco anos para que o futuro complexo audiovisual esteja em pleno funcionamento e o investimento previsto é de R$ 156 milhões.

Junto com a modernização, a história do Vera Cruz também estará presente. A coletânea de produções realizadas nos anos de 1950 e o uso do complexo como marca estão em negociação entre a Telem e a família Khouri, titular dos bens. “O nome e o acervo serão adquiridos. No caso do acervo, ele será todo digitalizado e ficará em exposição num museu que vamos construir. A ideia é criar um um espaço para que as pessoas possam visitar e ter acesso a esse passado”, revelou Fernando.

Cena de filmagens do filme Sai da Frente, com Amácio Mazzropi, em 1952. Foto: Acervo SBC


Complexo é o primeiro passo para expansão cinematográfica

Junto com a reativação do Vera Cruz, São Bernardo receberá ações em conjunto pela difusão da prática cinematográfica. “Pra chegar nesse desenho do Vera Cruz foi criado um tripé. Esse tripé passa por formação, fomento, que seria a incubadora de empresas, e envolve mercado, que é a concessão e o investimento no complexo”, revelou o secretário de cultura, Osvaldo de Oliveira Neto.

“Na área de formação já temos o Cav (Centro de Audiovisual) o Senac, que será inaugurado nesta quinta-feira (20/08) e virá com o curso técnico em cinema, e a Universidade Federal do ABC está no processo de implantação do curso de artes digitais ou ciência e tecnologia, eles estão definindo o nome, e que também pegará a área digital em cinema.”

Com nova sede, o Cav passará por uma expansão de atividades, em comum acordo com as novas estruturas do Vera Cruz. “Não temos uma proposta definitiva de aumento de cursos no Cav, mas com certeza isso vai acontecer. Porque com os estúdios funcionando, esse movimento todo do audiovisual na cidade vai ampliar as possibilidades, diálogos, relações e cursos”, considerou o secretário. A previsão é que as obras para instalação do Centro de Audiovisual no Vera Cruz se encerrem até o próximo ano.

Quando o Vera Cruz passar a sediar o Centro de Audiovisual de S. Bernardo, a expectativa é que aumente a oferta de cursos. Foto: Divulgação PMSBC


Tags:
cinema são bernardo história sãobernardo462anos

Compartilhe essa matéria

Deixe seu comentário

Para participar efetue o login, ou cadastre-se
Observação: as opiniões aqui publicadas são de responsabilidade apenas de seus autores. Os números de IP dos responsáveis pelos comentários estarão à disposição de vítimas de eventuais ofensas veiculadas neste espaço.

{{comments.length||0}} comentários