12/01/2010 00:00

Represa Billings terá viveiro de peixes

Por: Paula Cristina (paula@abcdmaior.com.br)

Convênio entre S.Bernardo e União permitirá a instalação de 40 tanques e um laboratório

O governo federal, por meio do Ministério da Pesca, financiará a fundo perdido projeto para aumentar a quantidade de peixes na represa Billings, em São Bernardo. Serão instalados 40 tanques para criação de peixes e um laboratório. A ação faz parte de um programa de profissionalização dos pescadores do Riacho Grande.

Os tanques de rede, que serão instalados dentro da represa, são feitos de ferro e têm o objetivo de produzir peixes em cativeiro. Para isso, cerca de 14 quilos de ração serão colocados diariamente em cada tanque, que poderá armazenar até 1,6 mil peixes adultos cada um. No laboratório, serão realizadas pesquisas sobre variações dos peixes, criação de novos tipos de ração, pragas e melhores espécies para as águas da Billings. Livros e material de estudo serão colocados à disposição dos pescadores. Ainda em negociação, o laboratório deve ser construído no Parque Estoril, com previsão de início de funcionamento para março deste ano.

O projeto, uma iniciativa do vereador Paulo Dias (PT), ainda não tem custo fixado pelo Ministério da Pesca. “Não nos foi divulgado qual será o valor repassado pelo governo federal, mas estimamos que deva ficar em torno de R$ 400 mil”, afirmou o vereador. Com o investimento, a qualificação dos pescadores e a criação de uma cooperativa também estão nos planos. “Esse é um processo lento e gradual. Além dos investimentos há a questão da conscientização da população, do turismo, da saúde, da ecologia. Tudo isso está ligado à Billings e é preciso repassar aos pescadores e as suas famílias”, afirmou o vereador.

Para que o processo se fortaleça, os pescadores participam de reuniões mensais. “Essas conversas fazem parte de uma segunda fase do projeto, uma fase mais demorada, quando instalaremos uma rede de economia solidária que, somada à cooperativa dos pescadores, será fundamental para o desenvolvimento econômico e social da região.” Os pescadores também visitam projetos de sucesso de economia solidária.

Outra novidade, anunciada pelo vereador, está ligada aos cursos de profissionalização que serão oferecidos. “Serão cursos de dois anos. Ainda estamos planejando a grade e o número de vagas. Se tudo der certo, poderemos ampliar o número de turmas gradualmente”, afirmou.

O pescador Luiz Carlos Alves, 54 anos, que participa das reuniões, está animado com o projeto e com seu futuro. “Sou pescador. Herdei a profissão do meu pai e sei que passarei o mesmo ofício aos meus filhos, mas poderei passar para eles em uma condição melhor do que a que recebi do meu pai, e isso é muito valioso”, comemora. Animado com o curso e as perspectivas, Alves não pretende mais mudar de vida. “Pensei em mudar de profissão, mas agora temos uma nova esperança, a de trabalharmos em cooperativa para melhorar o desempenho de todos.”

Capataz da Colônia de Pesca, Wanderleia Rachumback também mostra-se animada com as possíveis mudanças. “Agora, com os tanques, pescar será como plantar. Quem fizer vai ter frutos. Atualmente, os pescadores vêm para cá e não têm certeza do quanto conseguirá pescar”, contou. Com a chegada dos tanques, a expectativa é triplicar a quantidade de peixes na represa.

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