20/04/2017 10:37

Professor da UFABC defende continuidade do Ciência sem Fronteira

Por: Diego Brito (diego@abcdmaior.com.br)

Governo Temer acabou com intercâmbio que só na UFABC beneficiou 1,4 mil alunos

Cerca de 1,4 mil alunos da UFABC participaram da experiência. Foto: Andris Bovo

Por decisão do governo Temer, o programa Ciência sem Fronteiras chegou ao fim neste mês. O projeto foi criado pelo governo federal em 2011 e oferecia bolsas de estudo para alunos em outros países. Somente na UFABC (Universidade Federal do ABC) cerca de 1,4 mil alunos participaram da experiência. Para o professor e coordenador do projeto na universidade, Carlos Alberto Kamienski, o Ciência sem Fronteiras “colocou o Brasil no mapa mundial do ensino superior”.

“De maneira geral, o Ciência sem Fronteiras trouxe um benefício muito grande para o Brasil. Os alunos que participaram gostaram muito e puderam trazer a experiência para o país. Para o ABCD, que é uma região rica, a experiência já é fantástica, imagina para um estudante do interior do Acre?”, relatou Kamienski, que apontou a internacionalização na educação como ponto fundamental do projeto.

“É uma experiência intercultural muito grande. Esse é o caminho e tem que continuar independente do governo ou partido que estiver comando do país. A internacionalização tem que virar uma política de Estado e não só de um governo”, disse.

GRADUAÇÃO

O MEC (Ministério da Educação) afirmou neste mês que não haverá mais editais voltados para estudantes da graduação. Conforme Kamienski, cerca de 92% das bolsas do Ciência sem Fronteiras eram direcionadas aos discentes graduandos. “Uma alternativa é trazer estudantes de outros países para o Brasil, atingiria um número maior de alunos brasileiro e também teria a internacionalização”, disse.

Em nota, o MEC informou que “em julho de 2016, após uma avaliação criteriosa da modalidade graduação, o MEC chegou à conclusão de que era alto o custo para manter os alunos estudando fora do país: eram 35 mil bolsistas de graduação a um custo médio no exterior de R$ 100 mil por ano, enquanto o custo anual da merenda escolar, por aluno, é de R$ 94”.

“Diante desse quadro, o Ciência sem Fronteiras permaneceu com foco na pós-graduação. Atualmente, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) discute novas estratégias de internacionalização e apoio à excelência nas universidades”, completou, em nota.


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Tags:
ufabc michel temer pesquisa educação

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