28/10/2009 00:00

Fundação Casa será na Vila Guiomar

Por: Renan Fonseca (renan@abcdmaior.com.br)

Estado descarta construção ao lado do Cassaquera e aceita nova área oferecida pela Prefeitura

A Fundação Casa (ex-Febem) descartou definitivamente a possibilidade de erguer as unidades de internação no terreno ao lado do viaduto Cassaquera, em Santo André. Agora, como foi confirmado pelo próprio prefeito Aidan Ravin (PTB), o Estado vai aceitar a área oferecida recentemente localizada ao lado do CDP (Centro de Detenção Provisória), na Vila Guiomar.

Nesta quarta-feira (28/10), foi finalizado o laudo encomendado pela Fundação sobre a qualidade do solo do terreno vizinho ao Cassaquera. O teste comprova que o terreno está contaminado por gases inflamáveis e outros produtos químicos, o que fez com que a instituição desistisse do imóvel.

O assunto é motivo de incômodo para os moradores do Conjunto Habitacional Prestes Maia, situado atrás do CPD. Revoltados com o fato de terem como vizinho mais um centro de detenção, os residentes pretendem levar esta semana à Prefeitura uma abaixo-assinado como forma de protesto. Enquanto isso, a Administração tenta retirar da área aproximadamente dez famílias que ocupam irregularmente o local. A Prefeitura não quis se manifestar sobre o assunto.

Na visão dos moradores do maior conjunto habitacional do bairro, a presença dos internatos para menores pode aumentar ainda mais a insegurança da região. “Ainda não nos acostumamos com as rebeliões e conflitos dentro do CPD. Agora serão duas bombas no mesmo local”, disse a moradora Sandra Regina, uma das organizadoras do abaixo-assinado. Pela proximidade com os futuros internatos, os moradores temem que rebeliões e atritos entre os internos interfiram na rotina da comunidade. “Já temos de suportar esses problemas dentro do centro de detenção. Será difícil dormir à noite tendo dois abrigos para detentos”, criticou a diarista Maria Aparecida Vilas Boas da Silva.

Em outras ocasiões, os moradores do conjunto já pediram à Administração que o terreno abrigasse um ginásio de esportes ou mesmo um mercado livre. “Onde moramos não existe nenhuma farmácia próxima ou mesmo uma área para os jovens praticarem esportes. Ao invés de pensar nessas possibilidades, a Prefeitura oferece o lote para construir uma unidade de internação”, ironizou Maria.

Desocupação - A Prefeitura já iniciou o processo de desocupação do terreno, onde dez famílias moram há mais de 15 anos. Na tarde desta quarta-feira (28/10), representantes da Administração se encontraram com os residentes dos barracos para reafirmar a desocupação. “Querem que mudemos o quanto antes, se possível antes do Natal. Mas muitas famílias não têm para onde ir. Eu só tenho esse barraco”, disse o desempregado Ivan de Oliveira. A dona de casa Keity Daiana de Paulo disse que os funcionários da Prefeitura garantiram que todos os residentes receberiam auxilio moradia de R$ 380.

“Mas onde posso alugar um lugar para mim e meus quatro filhos por esse dinheiro? Estou desempregada, não tenho condições de sustentar um aluguel depois que a Prefeitura suspender o benefício”, reclamou. Questionada, a Administração não confirmou a informação a respeito do auxílio. O órgão também não se pronunciou sobre a data e o local para onde os ocupantes dos barracos serão levados.

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