26/08/2015 21:39

Conflito interno influenciou saída, diz ex-reitor da Fundação

Por: Rosângela Dias (rosangela@abcdmaior.com.br)

José Amilton de Souza fala pela primeira vez sobre os motivos que o levaram à renúncia

José Amilton de Souza foi professor na Fundação Santo André por 18 anos e reitor durante um ano e quatro meses. Foto: Andris Bovo


Em 11 de agosto, o professor de História José Amilton de Souza oficializou sua saída à frente da reitoria da Fundação Santo André. A carta de demissão foi entregue um ano e quatro meses após a cerimônia de posse, realizada em 1º de abril de 2014. Em entrevista exclusiva ao ABCD MAIOR nesta quarta-feira (26/08), José Amilton falou pela primeira vez sobre o ocorrido e atribuiu seu desligamento a três fatores: questões pessoais, de saúde e atritos causados por políticas internas da instituição.

O ex-reitor preferiu não detalhar quais seriam as razões pessoais que influenciaram sua decisão, mas admitiu que a crise financeira na Fundação teve grande impacto na vida fora da reitoria. José Amilton ressalta que assumiu o Centro Universitário com uma dívida estimada de R$ 35 milhões deixada por outras administrações e que conseguiu quitar R$ 9,5 milhões durante sua gestão.

No início de agosto, foram realizadas reuniões com a comunidade acadêmica para detalhar a situação financeira da instituição de ensino. Na ocasião, os docentes chegaram a avaliar a hipótese de entrar em greve por conta de atraso nos pagamentos.

“Fizemos uma reunião no dia 3, houve uma chuva de questionamentos e percebi que não havia apoio interno, apenas críticas. Percebi que não tinha clima político para me manter, afetou a saúde e aí chega um momento que você começa a se questionar se vale a pena”, afirmou o ex-reitor.

AGENTES EXTERNOS

O professor de História criticou os que veem a solução dos problemas da instituição apenas mediante a interferência de agentes externos, como governo federal e municipal. Para José Amilton, é preciso criar um unidade em que a comunidade participe do processo para superar a situação atual. “A Fundação é possível e tem potencial, mas muitas vezes grupos internos não querem que a Fundação aconteça, querem uma solução externa ou alguém que seja o salvador da pátria”, avaliou.

O ex-reitor comentou o boato de que teria deixado o cargo após passar em concurso público em universidade do Pará. Ele garante que sempre prestou concursos e deixou de assumir cargos enquanto lecionava na instituição.

Professor por 18 anos na Fundação Santo André, José Amilton disse que fechou um ciclo na instituição e traça planos para o futuro profissional. “Tenho concursos em aberto na Bahia, também no Pará, farei outros concursos e trabalharei com consultoria.”

SUCESSÃO

A lista tríplice com o nome dos candidatos à sucessão na reitoria será enviada ao prefeito de Santo André, Carlos Grana, em novembro.

Questionado sobre qual conselho daria ao próximo gestor, José Amilton elegeu a busca de consenso como o pilar fundamental para que a próxima administração consiga superar a crise.

“Não basta ter vontade política, como tínhamos, tem que ter força política, que nós não tivemos. Também tem que inovar, só que para inovar precisa mexer em privilégios e isso as pessoas não querem”, ressaltou.


Tags:
centro acadêmico fundação santo andré ensino superior educação

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