19/03/2013 00:00

A vida sobre duas rodas

Por: Rosângela Dias (rosangela@abcdmaior.com.br)

Para Valdemir José Januário, a estrada pode ser tão interessante quanto o destino final

Bem disse o navegador Amir Klink, que, depois de realizar a volta ao mundo próximo às águas geladas da Antártida, concluiu que um homem precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu e ir a lugares que não conhece para quebrar a arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Morador de Diadema, Valdemir José Januário, 36 anos, sabe na prática que a definição de Klink faz todo sentido.

Cair na estrada sobre duas rodas é o combustível na vida desse operador de máquinas da Mercedes-Benz. O gosto por motos surgiu ainda na adolescência e bastou completar 18 anos para comprar a primeira companheira de estrada. Nos anos seguintes foram muitas viagens para conhecer o Litoral paulista e estados próximos a São Paulo, como Minas Gerais e Paraná.

A vontade de desvendar novas paisagens, pessoas e culturas diferentes da brasileira motivou Valdemir a ir além. Em 2010 fez a primeira grande jornada rumo à América Latina. Foram cerca de seis meses planejando, estudando mapas e conversando com quem já havia passado pela experiência. Acompanhado de um amigo, percorreu o Sul do País e atravessou Uruguai, Argentina e Chile, onde se apaixonou pelas majestosas cordilheiras.

No ano seguinte o destino era a cidade perdida dos Incas, Machu Pichu, no Peru. Em terras peruanas enfrentou os incômodos causados pela altitude de 4.725 metros. As ruínas foram um espetáculo à parte, mas Valdemir também se impressionou com a pobreza daqueles que moram próximos da cidadela. Já em 2012 fez sua primeira viagem de longa distância sozinho. Atravessou o Norte brasileiro e países como Equador e Colômbia até atingir a Isla de Margarita, na Venezuela, uma ilha situada em meio ao mar caribenho. “Aquele é um lugar mágico”, definiu.}

As boas lembranças das viagens de Valdemir são fruto de planejamento. A manutenção da moto é ponto fundamental para que a aventura não se transforme em dor de cabeça. Na bagagem leva apenas o necessário, como algumas mudas de roupa, ferramentas, remédios e documentação em dia.

As três viagens somam cerca de 37 mil quilômetros rodados. Todos os detalhes foram registrados por ele no blog valdemirjanu.blogspot.com, que trará novidades em breve. Isso porque em abril Valdemir volta para a estrada, desta vez para desbravar o Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Ao final, ele terá percorrido 16 capitais, faltando conhecer apenas os estados de Mato Grosso e Amapá. Na América Latina, apenas a Bolívia permanece desconhecida para ele. Por enquanto, é claro.

O quarto repleto de fotografias e mapas comprova que viajar é mais do que turismo para Valdemir. E que a estrada pode ser tão interessante quanto o próprio destino final. Por que, mais uma vez parafraseando o navegador Amir Klink, pior que não terminar uma viagem é nunca partir. 

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