23/12/2016 14:59

Uma história de natal

Por: jose antonio costeira leite (jose.aleite@yahoo.com.br)

Eu adoro toda comida de Natal: peru, tender, farofa com coisas doces

Penélope Martins
Penélope Martins

Por Penélope Martins

– Não morro de amores por comida de Natal. Um frango assado é uma boa comida de Natal.

– Faz mais de vinte anos que não vejo estrela cadente.

– O que vale a pena é o amor.

– Eu adoro toda comida de Natal: peru, tender, farofa com coisas doces.

– Aquela figura encantadora do Papai Noel que distribuia presentes assim, de graça, sem obrigação, só por prazer, de tão simpático e adorável, por acaso, era meu pai.

– Eu vou fazer bacalhau aqui em casa para que meu pai viaje na lembrança.

– Falei pra você, mãe, as pessoas não querem conversa nessa época, só pensam em peru e presentes.

– Ontem uma mulher admirou tanto meu trabalho, depois, ela me disse sem graça que era pena não ter nenhum dinheiro, e eu ofereci a ela, como prenda de Natal.

– Meu pai odiava o Natal porque o pai dele era abusivoe o obrigava a trabalhar a noite na roça.

– Meia-noite a campainha tocou; eram meus vizinhos com ceia e presentes para mim e para mamãe, que já não se lembra o que é Natal.

– Eu já virei Papai Noel, na fantasia que minha avó costurou e que já é rosa de desbotada.

– Vão meter tudo numa panela, batatas, cebolas, couves e uma meia velha.

– Grelos salteados. Mas não me digam qualquer besteira só porque é Natal e estão todos soltinhos, veja bem…

– Menino Jesus vive na minha aldeia comigo.

– Quando faltou tudo na minha infância, minha irmã mais nova se alegrou com a história inventada do meu pai e eu fiquei feliz como quem se enche de coragem.

– Uma pessoa me ofereceu um ticket com estacionamento pago, no meio da neve. Fiquei cheia de esperanças.

– É impressionante a manifestação de fé nas comunidades que ainda entendem o sentido do mutirão.

– Você pode vir ceiar aqui em casa.

– Sou grato ao meu pai, tenho boas memórias dele e um conjunto para mantimentos de alumínio.

– Vamos fazer um Natal deitados na grama, de barriga pra cima, pra falar da vida, pra falar da morte, dos astronautas, das constelações, do futuro do mundo dos anos pra lá de 2000, dos sonhos e das estrelas que apontamos e que ainda não nos fizeram verrugas nos dedos.

– Queria comer os pimentões recheados da minha avó, do jeito que ela fazia; depois visitar a madrinha e assaltar a dispensa preenchida de ameixas secas e passas.

– Não tenho muito a dizer.

– Vamos cantar em frente ao presépio para lembrar os olhinhos brilhantes da mamãe.

– Em algum lugar sempre existe uma criança nascendo sem ter quem se importe com ela.

– Meus pais morreram, meus irmãos se perderam, vou dormir para não ver o Natal.

– Em algum momento vamos nos encontrar e tudo será muito bonito como é a curiosidade que nos atravessa.

– Fomos feitos para participação em um milagre.

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