01/04/2009 00:00

Represa Billings: sua água, nossa vida, há 84 anos

Por: Jefferson José da Conceição*, Marcos Lula** e Fábio Silva Gomes*** ()

A importância da preservação do reservatório para sua utilização pela população do ABCD

Considerada o maior reservatório de abastecimento público da América Latina, a represa Billings comemorou 84 anos de existência. A represa, criada em 1925 levando o sobrenome de um dos engenheiros que idealizou a obra, banha e abastece cinco das sete cidades do ABCD. São Caetano e Mauá são as exceções.

A represa, criada a partir do alargamento do Rio Grande e seus afluentes, tinha como objetivo servir de reservatório para a geração de energia hidrelétrica a partir da Usina Henry Borden, em Cubatão. Anos mais tarde é que sua água passou a ser usada para consumo, mas a represa já tinha grande viés de entretenimento. O espelho d’água, que ocupa 106,6 km², chama a atenção principalmente daqueles que, seguindo pela Anchieta, avistam a represa em direção a Santos. O nome daquele bairro, onde tudo começou, não poderia ser outro: Riacho Grande.

A represa Billings possui, além de toda sua utilidade prática, um grande potencial turístico. Além da Mata Atlântica que existe em seu entorno, e que é um dos poucos pontos na região em que se conserva rica fauna e flora, há a possibilidade de se praticar esportes náuticos, utilizar as prainhas e balneários que dispõe, os parques que estão em suas margens (Estoril, em São Bernardo; Pedroso, em Santo André; Fernando Vítor, em Diadema) ou mesmo observar a paisagem, que chega a deslumbrar. Tudo isto lá está, precisa de transformação.

Hoje, provavelmente, a Billings não esteja em condições de nos receber para que usufruamos dela tudo o que ela pode dispor. Há o problema da superpopulação – são cerca de 700 mil pessoas morando em área de manancial. Há a poluição desenfreada. Há o desmatamento que assoreia a represa e torna as belezas naturais disformes. Há uma extrema falta de planejamento, que se arrasta há anos. É hora de repensar a represa Billings.

O Riacho Grande, por exemplo, com sua prainha, o Parque Estoril, a balsa João Basso, todo ele pretendemos que seja revitalizado. Estamos também estudando a criação de uma Unidade Demonstrativa de Criação de Alevinos, com constituição de tanques-rede e toda a estrutura pertinente. Explorar o potencial turístico é também repensar a qualidade de vida da região, que pode se tornar um paraíso muito próximo a urbanidade com a qual estamos acostumados. Investir é preciso para que tenhamos em mãos um belo e funcional cartão de visita, além da certeza de que podemos fazer, com qualidade, da água da Billings a vida de nosso ABCD.

Cuidar do maior bem que nós temos, e que é natural, depende de nós. A velha senhora – que responde pelo nome de Billings – deve ser rejuvenescida. Só assim, ela fará jus ao nome dos bairros que estão em seu entorno: Vista Alegre, Vista Linda, Boa Vista...
*Jefferson José da Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de São Bernardo do Campo (SDET); Professor da USCS (Universidade de São Caetano) e autor do livro “Quando o apito da Fábrica silencia:: sindicatos, empresas e poder público diante do fechamento de indústrias e da eliminação de empregos na Região do ABC”.
**Marcos Cláudio Lula da Silva é diretor de Turismo e Eventos da SDET.
***Fábio Silva Gomes é escritor, memorialista e técnico da SDET. Autor dos livros da coleção “Origem das Famílias de São Bernardo do Campo”.

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