06/03/2012 00:00

Por uma Santo André 24 horas

Por: *Alexandre Parizotti ()

Cidade deve ampliar, e não limitar, suas atividades econômicas, sociais e de entretenimento


Alexandre Parizotti*

Foi protocolado na Câmara Municipal de Santo André um projeto de lei intitulado “Plano Diretor do Silêncio” que visa fechar os estabelecimentos às 0h com o objetivo de preservar o sossego e diminuir a criminalidade.

Santo André é uma cidade que tende a crescer cada vez mais, é claro que este crescimento deve ser organizado, porém, a aprovação de uma lei deste tipo acaba sendo um retrocesso para a cidade.
Algumas pessoas podem começar a ler este texto e pensar que o silêncio seria uma ótima idéia, e concordo que deve haver fiscalização para evitar abusos, mas já existem órgãos responsáveis pela manutenção da ordem pública, por exemplo, o Semasa que deve fiscalizar os abusos cometidos quanto ao barulho e da mesma forma a polícia que deve trabalhar ativamente para diminuir a criminalidade, ou seja, os donos, funcionários e freqüentadores dos estabelecimentos noturnos não podem ser punidos pela inércia dos órgãos públicos.

Na justificativa do projeto de lei, os autores citam além da poluição sonora e da criminalidade, a diminuição dos acidentes automobilísticos, mas não é pensado que estes motoristas vão para outras cidades procurar diversão, a solução para este caso seria na verdade uma maior fiscalização e conscientização referente a mistura de álcool e direção aumentando assim a utilização de caronas e taxis, sendo os taxistas outra categoria prejudicada com a aprovação do Plano Diretor do Silêncio.

No caso de aprovação deste projeto de lei, como ficariam aquelas pessoas que lutam a semana inteira em seus empregos e querem um pouco de diversão no final de semana? Vão para outra cidade? Os taxistas vão para suas casas mais cedo e com rendimento menor? E aqueles que trabalham durante a noite e a madrugada para sustentarem as suas famílias nos estabelecimentos noturnos de Santo André? E os donos dos estabelecimentos que fechariam as portas durante o horário de maior movimento? Muitos acabarão não apenas fechando as portas às 0h, e sim para sempre.

A transferência do problema de segurança pública para os donos dos estabelecimentos que funcionam no período noturno em Santo André além de ser extremamente prejudicial para quem tem neste ramo de atividade a sua sobrevivência e de suas famílias afetará diretamente a economia da cidade, fechando comércios, aumentando o desemprego e, além destes efeitos, o cidadão andreense vai consumir em outras cidades, empregando o seu dinheiro nos municípios ao nosso redor.

O poder público deve pensar na nossa cidade funcionando o tempo todo, acredito que Santo André deva funcionar 24 horas por dia facilitando assim o acesso a cultura e ao entretenimento, gerando empregos e aquecendo a economia, se tornando uma cidade para todas as pessoas, em todos os horários.

*Alexandre Parizotti, 39 anos, morador de Santo André, é proprietário da Sanduicheria Meio Natural.

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