17/06/2016 17:27

Papel dos pais e escola na educação formal e informal

Por: Ana Rafaela Bispo da Costa (ana_rafaela_24@hotmail.com)

O uso correto das máscaras contribuirá para a formação da personalidade saudável

Durante a vida o ser humano atua em papéis sociais diferentes. Jung define que para atuar nesses papéis são utilizadas máscaras, que têm sua origem no teatro grego e significam “persona”. Elas são usadas à medida em que cada papel vai sendo desempenhado. E, assim como no teatro, para cada personagem há uma postura coerente com ela. Entretanto, a máscara utilizada não define quem o indivíduo é, mas contribui para que parte dessas características se incorpore e fortaleça sua personalidade.

No desempenho dos papéis, ora se é filho, pai, mãe, irmão, marido, esposa, amigo ou profissional. Esses papéis geralmente se apresentam de forma simultânea. Esse processo é natural, e impacta diretamente no desenvolvimento da sociedade, afinal muitos dos problemas existentes provêm de uso errado dessas máscaras e da confusão no momento de exercer determinado papel social.

Sendo assim, algumas vezes se é filho quando se deve ser marido ou esposa. Se é filho quando se deve ser pai ou mãe. Se é pai ou mãe quando se deve ser filho, e está aí um grande empecilho para o desenrolar das relações humanas. Por isso, para que o vestir das máscaras seja adequado e seus papéis assumidos, é preciso amadurecimento e visão de que a situações e exigências se modificam.

Um contexto em que é válido ressaltar o uso polêmico de máscaras é na relação pais x professores x alunos, pois são notórias reclamações de todos os lados.

Comumente se vê os pais cobrando os professores sobre a educação de princípios e valores aos filhos; por outras vezes, estes tiram sua autoridade como professores, e procurando defender os filhos, podem não se atentar que estes possam apresentar comportamentos inadequados ao seu papel de alunos. Todavia os professores se queixam de não conseguirem exercer seu trabalho por tamanha falta de disciplina e desordem em sala.

E na intenção de amenizar a indisciplina, procuram ensinar não só as matérias formais exigidas, mas oferecem um papel afetivo e presencial na vida de seus alunos. Há de se assumir que diante dessa relação diária seria impossível não haver tal envolvimento, porém o quanto se gasta de tempo com ele é o que deve ser olhado com atenção.

Cada vez mais é comum verificar matérias em jornais que abordam o tema. Há índices absurdos de indisciplina e violência nas escolas, em sua grande maioria, por parte dos alunos. Estes que não estão aprendendo a exercer seu papel de crianças e adolescentes, que devem respeito à autoridade de seus professores e pais, mas por muitas vezes não o fazem.

Aliás, o que é mais preocupante nesse cenário é a perda de noção de autoridade, pois cada vez mais existem crianças liderando seus pais, professores e avós, porém, sem ter idade e nem discernimento para isso. E, por serem autorizadas a exercer uma autoridade que não possuem nem mesmo sobre si mesmas, deixam de amadurecer no tempo certo para serem autônomos quando a vida lhes cobrar.

Os papéis são invertidos e enquanto adultos se mostram infantis e com dificuldades para lidar com sua própria vida.

A reflexão sobre os papéis em nossa sociedade é urgente, principalmente em relação às crianças que serão os adultos de amanhã. Para isso é preciso entender a diferença entre autoridade e autoritarismo, e porque seus significados parecem distorcidos. De acordo com artigo publicado no site Mundo Carreira:

“Autoridade é algo que um indivíduo tem por possuir determinado conhecimento, está ligado à liderança, postura, comando; é a base de certos tipos de organização hierarquizada. Ela refere-se a uma prática pró-social que tem como objetivo levar as pessoas a perceberem e respeitarem as normas da sociedade, julgando sua legitimidade e avançando no desenvolvimento da democracia, no estabelecimento do bem maior. O autoritarismo, ao contrário, está ligado às práticas antidemocráticas e antissociais; é a imposição de algo pela força, e geralmente as decisões se restringem às vontades do próprio indivíduo ou de pessoas estritamente ligadas a ele – seja no âmbito pessoal, profissional, acadêmico, governamental.”

Ao olhar para essa definição percebe-se o quanto a falta do exercício da autoridade fará diferença em diversos ambientes. E, na maioria das vezes, por medo de exercer o autoritarismo não é exercida a autoridade. Ter autoridade sobre algum assunto é ter conhecimento sobre ele e poder dividir isso com outros. No caso dos pais, são adultos que conhecendo a vida tem maior capacidade para orientar e liderar seus filhos. E os professores com sua autoridade sobre as disciplinas escolares devem liderar a sala de aula para obterem êxito em seus ensinamentos.

Não se trata de autoritarismo, de impor às crianças de maneira aleatória, sem pensar em seu bem estar, pelo contrário, é usar o melhor conhecimento que se tem para orientar quem está em pleno processo de aprendizagem.

Portanto, uma criança para crescer saudável precisa, ouvir não, respeitar seus pais, entender o que é autoridade e ter limites. Essas atitudes contribuem exatamente para a construção dos limites do ego e amadurecimento emocional. O uso correto das máscaras contribuirá para a formação da personalidade saudável, porém o uso incorreto pode fazer com que a pessoa se sinta a “própria máscara” que está usando e se desenvolva de forma errada.


Ana Rafaela Bispo da Costa é psicóloga pós-graduada em Informática em Saúde. CRP: 06/95603


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Tags:
psicologia ajuda psicológica pais e filhos

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