07/05/2017 11:47

Defeitos estruturais continuam 200 anos depois

'Defeitos de fabricação' continuam a ser praticados ...

Por: Gonzaga do Monte (lugonzaga.monte@gmail.com)

Família real também trouxe corrupçãp
Família real também trouxe corrupçãp

A vinda da família real para o Brasil foi decisiva para o desenvolvimento do País, e com ela também vieram algumas mazelas que perduram até hoje. Dom João VI, a corte e mais 15 mil portugueses chegaram ao Brasil em 10 de maio de 1808, fugindo de Napoleão. E passados mais de 200 anos, alguns “defeitos de fabricação” continuam a ser praticados e talvez expliquem características da nossa sociedade como o jeitinho e a vontade de querer levar vantagem em tudo.

Vejam algumas relações:

Projeto de País

Antes – A maior parte dos funcionários da máquina governamental da Corte não se interessava pela prosperidade do Brasil, pois acreditava que estava aqui apenas de passagem. Eles queriam ficar ricos à custa do Estado e não tinham interesse em administrar com justiça, em benefício da população.

Agora – A estrutura da máquina governamental valoriza o corporativismo e os benefícios pessoais, e não o desenvolvimento do País.

Corrupção

Antes – Nas relações das população com os servidores da Corte portuguesa era normal a prática da “caixinha” nas concorrências públicas e no pagamentos e agrados pelos serviços públicos.

Agora – Revelações da Lava Jato mostram que o superfaturamento e a propina parecem ser uma prática nas concorrências e licitações em todos os níveis administrativos.

Cerimônia do beija-mão era uma tradição
Cerimônia do beija-mão era uma tradição

Apadrinhamento

Antes – Nos tempos de Dom João VI existia a cerimônia do beija-mão, quando o sujeito mostrava sua reverência ao governante e aproveitava para fazer algum pedido pessoal, que não seria encaminhado se não fosse “por cima”.

Agora – Ainda existe essa relação de apadrinhamento entre o político e os eleitores que envolvem cargos, apoios e outros benefícios pessoais.

Elite e poder

Antes – A elite, formada por negociantes, fazendeiros e traficantes de escravos, financiavam a Corte em troca de benefícios e título. Dom João VI, nos quase treze anos que aqui ficou, distribuiu mais títulos do que em toda a história de Portugal.

Agora – Os poderosos de hoje, empresários, banqueiros, corporações e empreiteiras, mantém uma relação estreita com governantes e chegam a influenciar as tomadas de decisões e a elaboração de projetos.

Não criamos essa situação, mas até hoje não tivemos força – ou vontade – para acabar com ela.


Passeata dos integralistas meses antes do Levante
Passeata dos integralistas meses antes do Levante

Com essa o Plínio não contava...

Na década de 1930, Plínio Salgado estruturou o partido Ação Integralista Brasileira, baseado em conceitos fascistas, e se preparou para concorrer às eleições presidenciais de 1938, na sucessão de Getúlio.

Mas, antes, Getúlio deu o golpe com apoio dos mesmos integralistas e implantou o Estado Novo. Plínio Salgado se preparou para participar do novo governo autoritário, mas Getúlio frustrou suas expectativas ao decretar o fechamento de todos os partidos.

Inconformado, Plínio Salgado promoveu o Levante Integralista, uma tentativa de golpe para derrubar Getúlio. A primeira tentativa aconteceu em março de 1938 e a segunda em maio do mesmo ano, mas foram rapidamente reprimidas. A maioria dos participantes do golpe foi presa, torturada e morta, e Plínio Salgado foi exilado em Portugal, colocando fim aos sonhos de poder.


Enfim... o fim do lixo autoritário

No dia 10 de maio de 1985, menos de dois meses depois de Sarney assumir a presidência da República, o Congresso aprovou o chamado emendão, que acabou com as leis de exceção imposta pela ditadura e colocou o País no caminho do estado democrático.

O projeto restabeleceu as eleições diretas para presidente e as eleições para prefeito das capitais dos Estados e das cidades consideradas de segurança nacional. Também garantiu o voto ao analfabeto e passou a permitir que os políticos mudassem de partido. O emendão permitiu, ainda, a legalização dos partidos comunistas.

O projeto marcou o fim da ditadura 21 anos depois do golpe promovido pelos militares.


Flagelados pegam água. Foto: Orlando Brito
Flagelados pegam água. Foto: Orlando Brito

Muita fome, morte e doença na seca de 1998

Na grande seca de 1998, entre os meses de março e maio, a população do árido e semi-árido nordestino que perdeu seu roçado procurou ajuda nas cidades, acampando nas prefeituras e vagando pelas ruas. Era o terceiro ano de seca. Ou conseguiam comida nas doações dos prefeitos, feirantes e comerciantes, ou então avançavam sobre os depósitos de alimentos do governo ou de particulares. Centenas de cidades foram visitadas pelos flagelados em busca de comida. Muitos flagelados paravam caminhões nas rodovias para conseguir frutas, farinha e outros alimentos. Do governo, veio a reclamação do então ministro da Justiça, Renan Calheiros, que estava havendo uma "indústria do saque". Pressionado, o presidente Fernando Henrique distribuiu cestas básicas, mas avisou que não gostava de fazer isso porque era um assistencialismo que deixava a pessoa mal acostumada.

Bob Marley, a voz do reggaer, do amor, do pobre e do negro

O cantor e compositor jamaicano Bob Marley era a voz do reggae, do amor, do pobre e do negro. Ele morreu no dia 11 de maio de 1981, aos 36 anos de idade. Veja algumas frases dele: “Ideal seria que todas as pessoas soubessem amar o tanto que sabem fingir”.

“1 universo, 8 planetas, 204 países, 809 ilhas, 7 mares, 7 bilhões de pessoas. E a única pessoa que eu só preciso para ser feliz é você!”.

“Pare de reclamar da vida e faça algo para mudar, mova-se, saia do canto; ficar parado é para os fracos, os fortes vão à luta”. “Dinheiro é número e números nunca acabam. Portanto, se você busca dinheiro para ser feliz, sua busca pela felicidade nunca acabará”.

“Mais vale a lágrima da derrota do que a vergonha de não ter lutado...”.

FATOS DE MAIO NO MUNDO

Manifestações cartistas reuniram milhares de trabalhadores
Manifestações cartistas reuniram milhares de trabalhadores

Tem operário na política Na Inglaterra, no dia 8 de maio de 1838, representantes do Cartismo lançaram a Carta do Povo, que pedia melhores condições de trabalho e participação dos trabalhadores na política. O cartismo foi o primeiro movimento da classe operária inglesa a reivindicar direitos políticos e a adquirir um caráter nacional. As exigências da Carta não foram aceitas de imediato pelo Parlamento, mas gradualmente foram sendo incorporadas à legislação como voto secreto com cédula, eleições anuais e participação de operários no parlamento. Também as exigências trabalhadores foram atendidas com o tempo, como a lei de proteção ao trabalho infantil e feminino, a lei permitindo as associações políticas e a lei da jornada de trabalho de 10 horas.

El Salvador: greve geral derruba general No começo de abril de 1944, em El Salvador, uma revolta popular contra o governo do general Hernández Martínez termina em fracasso e com o fuzilamento das lideranças rebeldes. Essas mortes provocam um aumento na indignação social e um mês depois, em maio, vários setores sociais como estudantes, trabalhadores e comerciantes iniciam a “greve dos braços cruzados”, que paralisou as universidades, o sistema de transporte, os bancos e o comércio. Dias depois o general renuncia e deixa o País.

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