04/01/2017 14:52

Adeus, 2016

Por: jose antonio costeira leite (jose.aleite@yahoo.com.br)

O sopro de um hálito impuro, seguido de um beijo seco foi o ponto final em sua breve história...

Janderson Lacerda
Janderson Lacerda

Por Janderson Lacerda

Finalmente o ano chegou ao fim. E lamento dizer, prezado 2016, mas não sentiremos sua falta. Eu sei que membros das mais diversas associações de proteção e preservação de calendários ficarão indignados com esta crônica. Contudo, eu reafirmarei com alegria até o último dos caracteres que me for concedido por esta tribuna: é o fim da linha para você, 2016!

Este ano velho e branco nunca escondeu suas reais intenções; de personalidade forte, ideias ultrapassadas e andando fora da lei, 2016 reinou absoluto e transitou, ainda que sem glória, com faixas e togas pela República Tupiniquim.

Sim, 2016 optou pela exuberância do terno Stuart Hughes Suit; adotou sotaque em inglês, borrifando esporadicamente um latim embalsamado pelo tempo: tempus fugit, o tempo voa! Divorciou-se da democracia e atirou-se na vala da história. Aliás, este ano que ai jaz zombou da nossa história; ergueu-se soberano como se a própria lei o fosse e condenou de verde-amarelo um passado construído com sangue.

2016 no auge de sua soberba passou-se por arquiteto (saudades de Niemeyer), sem nunca ter adentrado em uma faculdade de arquitetura, e construiu uma ponte para nos conduzir ao futuro. A ponte tornou-se uma pinguela e com passos curtos sem olhar para trás temos que atravessá-la para chegarmos ao ano de 1964, seu irmão gêmeo.

É, mas o ano de 2016 que agora se putrifica, e que vaga como alma penada sem direito a extrema-unção, atentou contra diversas vidas; praticou o pecado capital, blasfemou contra divindades e tornou santo aquele que era profano.

2016 com capa e colarinho branco assaltou os cofres do poder, estuprou a constituição. E quando achou que golpearia a história recebeu uma enxurrada de vaias; desnorteado, fugiu e tentou esconder-se atrás de escribas de aluguel e manchetes de jornais (outrora parceiros inseparáveis). Mas, não conseguiu abrigar-se, ao contrário, seus crimes tornaram-se capas dos mesmos jornais e os escribas bradaram a plenos pulmões: “o rei está nu, o rei está nu, o rei está nu

Desesperado, 2016 correu sem rumo, fugindo das vaias, das manchetes, da história. Andou por descaminhos, não quis olhar para sua própria face corrompida por tantos crimes e, finalmente, topou com a morte: o sopro de um hálito impuro, seguido de um beijo seco foi o ponto final em sua breve história... Hora do óbito, 23h59min, sábado 31 de dezembro.

Seja bem-vindo 2017!

Compartilhe essa matéria

Deixe seu comentário

Para participar efetue o login, ou cadastre-se
Observação: as opiniões aqui publicadas são de responsabilidade apenas de seus autores. Os números de IP dos responsáveis pelos comentários estarão à disposição de vítimas de eventuais ofensas veiculadas neste espaço.

{{comments.length||0}} comentários