21/12/2016 14:51

A PEC 55 é uma Brastemer!

Por: jose antonio costeira leite (jose.aleite@yahoo.com.br)

O governo sem votos de Temer é recheado de chavões e discursos vazios regados de mesóclises

Janderson Lacerda
Janderson Lacerda

Como afirmou o economista Raul Velloso a PEC 55, (Proposta de emenda à Constituição) que foi aprovada pelo Governo ilegítimo de Michel Temer, “não é uma Brastemp”! E não poderia ser mesmo, afinal a PEC limitará o teto dos gastos públicos e com isso congelará os reais investimentos em saúde e educação, além de afetar o salário mínimo.

A Proposta que também foi chamada de PEC 241, PEC do Fim do Mundo, PEC da Maldade (Meu Deus essa PEC tem mais nomes que o Coisa Ruim, Belzebu, o Gabiroto, Tinhoso, Demônio, Cão!) na verdade é uma Brastemer! (Vade retro Satanás!).

É isso mesmo, caro leitor, a PEC 55 (ou seja, lá qual for seu nome) não é de fato uma Brastemp, mas sim uma Brastemer! E a explicação para tal afirmação é simples: somente o “Brasil de Temer” (ordem e progresso! Ordem para os pobres e progresso para os ricos) para propor e aprovar uma emenda à Constituição tão absurda e injusta como esta!

Eu sei, eu sei “Brastemer” é, no mínimo, clichê; mas, ninguém pode negar que o governo sem votos de Michel Temer é recheado de chavões e discursos vazios regados de mesóclises. Atire a primeira Constituição quem se esqueceu do discurso de posse de Temer:

“Mas eu quero fazer uma observação. É que nenhuma dessas reformas alterará os direitos adquiridos pelos cidadãos brasileiros. Como menos fosse sê-lo-ia pela minha formação democrática e pela minha formação jurídica”... Santa hipocrisia!

Voltando a PEC 55: a proposta limitará os gastos públicos por 20 anos, com opção de ser revista em 10 anos. A medida aprovada propõe que a partir de 2018, os gastos federais só poderão aumentar de acordo com a inflação acumulada, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Na prática isto significa limitação de recursos para áreas fundamentais como saúde, educação e segurança.

Indignação

O relator especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para Pobreza Extrema e os Direitos Humanos, Philip Alston criticou a PEC 55 e disse que é inapropriado que um governo sem votos proponha medidas tão radicais. Alston, ainda, afirmou que a proposta é um erro histórico e que provocará retrocesso social.

Um estudo recente feito pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontou que, em 20 anos a saúde pode perder cerca de R$ 743 bilhões. Já com relação à educação o déficit pode chegar a 32,2 bilhões em um prazo de 10 anos.

Além de tudo isso, é preciso lembrar que a única despesa que não foi contemplada pela PEC 55 é a da dívida pública. Isto significa que continuaremos a pagar juros exorbitantes, que comprometerão ao menos 49% do orçamento do governo! Em outras palavras, enquanto a classe baixa – principalmente -- passará um terrível sufoco, os banqueiros continuarão recebendo juros sobre juros e desta forma ficarão ainda mais ricos!

Em suma, a PEC que limita o teto dos gastos públicos, não limitará o enriquecimento por espoliação de banqueiros e rentistas; enriquecimento à custa do dinheiro público, à custa do suor do povo brasileiro.

A PEC 55 que carrega tantas alcunhas é desumana, absurda e inconstitucional e só poderia ser imposta por um governo que tomou de assalto o poder através de um golpe parlamentar.

Compartilhe essa matéria

Deixe seu comentário

Para participar efetue o login, ou cadastre-se
Observação: as opiniões aqui publicadas são de responsabilidade apenas de seus autores. Os números de IP dos responsáveis pelos comentários estarão à disposição de vítimas de eventuais ofensas veiculadas neste espaço.

{{comments.length||0}} comentários