19/04/2017 09:12

A comunicação é de todos nós

Conheça algumas formas de comunicação das pessoas com deficiência

Samara Andressa Del Monte
Samara Andressa Del Monte

Por: Samara Andressa Del Monte (samarandresa@gmail.com)

O ser humano só consegue sobreviver porque se comunica e a forma mais comum é através da fala oral. Porém, muitos tiveram essa capacidade prejudicada. No entanto, se não falam com a boca, falam com o resto do corpo todo. E falam muito!

Rodrigo Silva, 34 anos, surdo, usa a Libras, desde seus 3 anos. A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é usada pela maioria dos surdos e pode mudar de região para região. Para se comunicar em Libras é necessário conhecer a sua gramática para combinar as frases. Os sinais surgem da combinação de configurações de mão, movimentos e de pontos de articulação e locais no espaço ou no corpo onde os sinais são feitos também de expressões faciais e corporais que transmitem os sentimentos que para os ouvintes são transmitidos pela entonação da voz, os quais juntos compõem as unidades básicas dessa língua. Assim, a Libras se apresenta como um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos.

Um dia, Caio Cabral, 34 anos, e sua namorada, ambos impossibilitados de oralizar devido à paralisia cerebral, criaram um jeito para se comunicar entre eles. Fazendo as letras do alfabeto com a cabeça, montam frases e despertam a curiosidade das outras pessoas.

No entanto, há sistemas de comunicação alternativa que são universais. Um deles é o Sistema Bliss de Comunicação, criado por Charles Bliss (1942), que utiliza uma forma de visualização que obedece uma lógica combinatória. São símbolos ideográficos. Já o PCS - Picture Communication Symbol possui como características desenhos simples e claros, de fácil reconhecimento, adequados para usuários de qualquer idade e facilmente combináveis com outras figuras e fotos.

Cada símbolo, tanto do Bliss quanto do PCS, corresponde a uma palavra, e vários símbolos podem ser agrupados para formar frases. O sistema é estruturado com perguntas (cor rosa), pessoas (cor amarela), verbos (cor verde), substantivo (cor laranja), adjetivo (cor azul) e miscelânea como dias da semana, meses do ano, alfabeto e número (cor branca).

Uma pessoa que usa tanto o Bliss quanto o PCS tem uma prancha com símbolos de acordo com sua vida e com seus interesses, explica Roseli Vasconcelos, fonoaudióloga, com pós-doutorado em Linguística e Língua Portuguesa e atuação de 31 anos em clínica e pesquisa na área da Comunicação Alternativa. “Peço para a mãe escrever o fim de semana e leio com a criança na terapia. A partir das expressões do interesse da criança, seleciono os símbolos que serão colocados na prancha”.

A Rita Basílio da Silva, 36 anos, começou usando o Bliss, mas não se adaptou e se identificou com o PCS. “Esses símbolos por imagens são muito mais fáceis de assimilar, as figuras são mais comunicativas e é mais fácil de identificar os símbolos. O Bliss é muito abstrato”. Já Eduardo de Sá, 47 anos, também com paralisia cerebral, usa os símbolos Bliss há 40 anos. “Eu consigo me comunicar mais rápido quando uso a prancha do Bliss”. Para quem não oraliza, é muito importante ser entendido, basta que as pessoas tenham um pouquinho de paciência!

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