| |
 |
|
 |
Limpando Capela |
| |
autor: ABCD Maior / publicação: 1/02/10
|
| |
|
| |
Na tarde do dia 29, o sol estava muito quente sob a cabeça dos 16 rondonistas que deixavam o alojamento rumo à praça do bairro São Sebastião, um dos locais mais pobres da cidade de Capela. O objetivo do deslocamento era uma das últimas atividades pelo projeto a qual necessitava de muita ajuda dos munícipes: íamos limpar parte das ruas da cidade.
Tímida, a população não participava. Algumas crianças se aproximavam do grupo pedindo as luvas de borracha para limpeza, e uma parte desse acessório distribuído virou balão e brinquedo nas mãos da criançada.
Quem seguiu os carrinhos e as vassouras foram os fieis companheiros das atividades nas tardes no colégio Abdon de Paula Gomes, aqueles que pintaram, jogaram bola e os alunos da oficina de jornalismo. Foram esses que se muniram da luva e seguiram rumo ao trilho do trem, percurso mais longo da trajetória.
Completando o grupo estava ainda um caminhão de coleta, um carro de som que fazia a propaganda da ação do lixo e um dos colaboradores e importante contato aqui no pedacinho do agreste, Railson, cujo sobrenome não era importante, a figura de quem falo gosta de ser chamado de “Raio da Cilibrina”, mas sobre ele falaremos em algum outro momento . A população pode não ter se empolgado para ajudar, mas parou para ver. No caminho, risadas, cansaço e lixo, muito lixo.
Papel, copo, vidro, o que chamamos de “lixo seco”, eram colocados em um saco, já em outro, era separado tudo que não poderia ser reciclado ou catalogado como material “molhado”.
Para tentar motivar a população os rondonistas dançavam e cantavam pelas ruas, esperando uma participação que não aconteceu, mas rendeu aplausos e um fim de tarde bem produtivo.
No total, duas horas foram empregadas nas ruas de Capela, até a da prefeitura recebeu atenção. Concentrados na praça central da cidade, o grupo agradeceu a ajuda das crianças e as muitas sacolas de lixo coletado. O material reciclado já tem destino, vai ser doado para uma instituição que o vende. Essa ação traduz bastante a mensagem da atividade que e a de que lixo pode ser fonte de renda.
|
| |
|
| |
 |
| |
Imprimir Artigo | Envie para um Amigo | Escreva seu Comentário (1) |
| |
|
 |
O jornalismo como a arte do instinto |
| |
autor: ABCD Maior / publicação: 25/01/10
|
| |
|
| |
Passados os dois dias de reconhecimento, correria e divulgação dos trabalhos propostos pela Univali e Umesp, as expectativas para os dois dias seguintes eram grandes. Depois de muitos convites, teve início na quarta-feira (20/01) a oficina de jornalismo regional.
Marcada para as nove da manhã, os alunos só apareceram por volta das nove e meia, o motivo do atraso, depois ficou-se sabendo, foi porque era dia de São Sebastião, feriado municipal e os munícipes aproveitaram para dormir um pouco mais.
A primeira parte das oficinas começou com cerca de 20 alunos. A idade variava entre 12 e 24 anos e os alunos pareciam envolvidos e motivados com os preceitos iniciais do jornalismo. Depois de algum tempo, um dos exercícios que pedimos aos aspirantes a jornalistas era uma entrevista com seus colegas de turma a fim de descobrirem um pouco mais sobre a vida de cada um deles. Tal foi a surpresa quando muitos dos alunos ali mostraram-se interessados em mudar uma possível profissão quando crescessem. “Eu queria fazer economia, agora estou pensando em fazer jornalismo”, afirmou o estudante de 15 anos, Luiz Henrique da Silva.
O período da tarde também correu com muita animação. A cada exercício bem realizado ficava evidente que jornalismo era algo altamente instintivo. Eles conseguiam elencar as prioridades para escreverem em um jornal comunitário, conseguiam entender o que era lead e, apesar de toda dificuldade de uma cidade com um índice grande de analfabetos funcionais, eles conseguiam falar um pouco sobre a essência do jornalismo.
“Pessoal, um incêndio em Maceió é menos importante que um incêndio em Capela, precisamos fazer um jornal em que apareçam as notícias que não aparecem no jornal nacional”, afirmavam.
Depois de alguma conversa, os alunos (que nesse momento já somavam 25 pessoas) começaram a debater qual veículo deveria ser escolhido para passar as noticias do município. Depois de muita confusão, eles não escolheram pouco: fariam um jornal mural, falariam na rádio local e montariam um blog. Tudo isso seria alimentado quinzenalmente. Fator que foi decisivo para a escolha do veículo: Capela Quinze
|
| |
|
| |
 |
| |
Imprimir Artigo | Envie para um Amigo | Escreva seu Comentário (0) |
| |
|
 |
A chegada |
| |
autor: ABCD Maior / publicação: 25/01/10
|
| |
|
| |
Chegar em Capela pareceu o fim de uma longa jornada. Embora outra estivesse por começar. Depois de nos instalarmos no alojamento providenciado pela Prefeitura do município, iniciamos o processo de mesclagem de projetos porque não somos o único grupo por aqui. A Univali (Universidade do Vale do Itajaí) de Santa Catarina é responsável pelos seguintes temas a serem tratados na proposta do Rondon: meio ambiente, geração de trabalho e renda, tecnologia e comunicação. A Universidade Metodista, por sua vez, foi incumbida de tratar da educação, direitos humanos, saúde e cultura.
O desafio foi, em algumas horas, fundir duas concepções diferentes para que trabalhássemos em grupo. Feito isso, depois de muito empenho e discussões beirando a madrugada, ficou decidido o que faríamos.
Dos 12 dias previstos de atividade, os dois primeiros seriam destinados só para reconhecer o local e divulgar nossa programação, assim, poderíamos testar a aplicabilidade de tudo que bolamos. Em seguida, na quarta-feira e quinta-feira (20 e 21/01), começaram as oficinas de jornalismo regional para incentivar a produção de um meio que leve notícias relevantes para a população carente de informação “da Capela”, como os moradores denominam a cidade, e para que cobrissem as palestras e outros eventos previstos em nossa agenda.
Na sexta-feira (22/01), iniciou-se o circuito de palestras com cultura, sendo que no final de semana houve a de saúde e meio ambiente, tratando de doenças endêmicas existentes e ainda restam as de planejamento e geração de renda e trabalho, direitos humanos e educação, além de várias ações paralelas. Reuniões com secretários do município, líderes comunitários e população em geral vem sendo feitas para chamar o público a comparecer.
O intuito geral é constatar os problemas de cada área e as possíveis soluções. Ao mapeá-las, iremos direcioná-las para o Fórum Social da cidade que será criado no fim da próxima semana. Nele, grupos de trabalho se reuniram para elencar prioridades a serem encaminhadas em forma de documento para os administradores locais e do Estado, lembrando que o secretário de desenvolvimento do governo, Sérgio Moreira, é capelense.
“Capela foi criada basicamente em função da vida canavial e isso fez com que o lugar inchasse e não se desenvolvesse. A solução para a concentração de renda são propostas como a do Rondon que vem encontrar as riquezas da Região”, afirmou Moreira durante o primeiro encontro oficial dos rondonistas no domingo passado (17/01).
|
| |
|
| |
 |
| |
Imprimir Artigo | Envie para um Amigo | Escreva seu Comentário (0) |
| |
|
 |
As primeiras impressões |
| |
autor: ABCD Maior / publicação: 20/01/10
|
| |
|
| |

No sábado (16/01), por volta das 11h30, dois barulhentos aviões C105, utilizados para paraquedismo, foram os selecionados para transportar aproximadamente 130 pessoas da Base Aérea de Guarulhos para Maceió. A princípio, o avião cargueiro Hércules levaria os alunos e professores para o Alagoas, porém o terremoto do Haiti mudou os planos da FAB (Força Aérea Brasileira) que enviou suprimentos para auxiliar a população da capital Porto au Prince.
O resultado foi menos espaço para bagagem pessoal, equipamentos e mais aperto, uma vez que só há três fileiras de assentos na aeronave colados na fuselagem. Consequentemente, todo o material de apoio teve que ficar no local. Ouvia-se militares dizendo que o peso havia sido excedido em mais de 300 quilos. Sob sussuros e boatos, o equipamento material das universidades de São Paulo ficaram na base, com data de envio ao destino final ainda indefinido.
Um dos aviões, o nosso, fez uma escala em Porto Seguro (BA) para reabastecer. Houve um espaço considerável entre as chegadas dos C105. Chegamos às 17h30 em Maceió (AL) e depois de pegar os pertences seguimos para o 59 Batalhão de Infantaria Motorizada para passar a noite. Acordar às 5h com a banda militar soprando trompetes e trombones foi o sinal de que o dia seria longo. Havia a abertura oficial do projeto e a ida até o município.
Solenidades e formalidades marcaram o evento, que contou com a presença de secretários das mais diversas pastas do executivo alagoano. Entre as autoridades militares, o coronel Brito Neto, que mostrou-se animado com a chegada dos rondonistas, apesar dos problemas no Haiti. “Uma coisa não tem nada a ver com a outra. A tragédia naquele país mobilizou parte de nosso batalhão, foi triste e estamos sensibilizados a causa, mas temos muito a trabalhar aqui no Brasil, por isso o trabalho dos rondonistas não serão afetados”, alertou.
Nesta edição do Rondon, 76 cidades de Goiás, Tocantins, Bahia e Alagoas foram selecionadas, totalizando 1.216 pessoas, sendo que 25% são de Minas Gerais e 23% de São Paulo. 29% dos participantes são da área de saúde.
“Participo do Projeto Rondon desde 1971, isso dá 39 anos, mesmo com a pausa de 12 anos. Devemos a reativação da iniciativa a UNE (União Nacional dos Estudantes) que batalhou para que o Governo voltasse com a proposta com a diferença de hoje ser voltada para a sustentabilidade e não mais assistencialista”, relatou o professor de engenharia elétrica da Universidade Santa Cecília de Santos, Celso Volpe.
Entre o público de rondonistas e professores que acompanharam e seguiram depois para suas receptivas cidades, via-se animação, apreensão, receio. Entre aqueles que viajam pela primeira vez em busca de aventura, ou aqueles tantos outros que já viajaram outras vezes, uma única ideia parecia estar em comum: esperança.
|
| |
|
| |
 |
| |
Imprimir Artigo | Envie para um Amigo | Escreva seu Comentário (0) |
| |
|
 |
A caminho para Alagoas |
| |
autor: ABCD Maior / publicação: 15/01/10
|
| |
|
| |
Em meados de outubro de 2009, o Ministério da Defesa anunciou que um grupo de estudantes e professores da Universidade Metodista, localizada em São Bernardo, foi aprovado para participar do Projeto Rondon, programa do Governo Federal reativado em 2003 no primeiro ano da gestão Lula, depois de um hiato de 18 anos. Foram 4.200 projetos inscritos, 170 selecionados. Somente um grupo do ABCD.
De acordo com o ministério em questão, o objetivo da ação é, além de contribuir com a formação do universitário, desenvolver planos de sustentabilidade que ao serem aplicados ao longo de duas semanas fortaleçam a cidadania de municípios brasileiros De Tocantins, Goiás, Bahia e Alagoas com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) muito baixo.
Esse é o caso de Capela, cidade que registra pouco mais de 17 mil habitantes e que fica a 64 km de Maceió, capital do Estado do Alagoas. Se utilizarmos dados do antigo censo de 2000, feito pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), é possível observar que Capela está colocada como uma das últimas na lista crescente de IDH que avalia mais de cinco mil municípios. Se São Caetano, primeira colocada, está classificada com 0,919, Capela aponta 0,569.
É óbvio que em 15 dias é impossível mudar até mesmo um bairro, que dirá uma cidade. Cientes disso, dois integrantes do grupo de rondonistas que são repórteres do ABCD MAIOR pretendem descrever neste blog uma espécie de diário de bordo que retrate as dificuldades, surpresas e avanços da empreitada que terá início neste fim de semana (16 e 17/01).
A imersão em uma cultura nordestina, enraizada em engenhos de açúcar e canaviais, promete contrastar bastante com a realidade dos subúrbios industriais da Região e é isso que queremos flagrar, aliado aos aspectos referentes a direitos humanos, saúde, cultura e educação que saltam às vistas por estarem fora de níveis considerados adequados.
Portanto, convidamos a todos os leitores a nos acompanharem em nossos relatos. Nos desejem boa sorte.
“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.
Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.” (Graciliano Ramos)
|
| |
|
| |
 |
| |
Imprimir Artigo | Envie para um Amigo | Escreva seu Comentário (1) |
| |
|
 |
|
 |
|
|
|