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Palestra 1 x 2 EC São Bernardo - domingo de sol e sonho no Baetão |
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autor: Paulo Jr. / publicação: 6/06/10
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Foi uma boa manhã de domingo esta de inverno, sol e clássico, penso eu ao deixar o Estádio do Baetão, em São Bernardo.
Em campo, dois senhores do futebol. Atacando para o gol do Baeta Neves, o verde branco do Palestra São Bernardo, no auge dos seus 74 anos; descendo ao gol do Paço Municial, o alvinegro do Esporte Clube São Bernardo e seus 82 carnavais.
O jogo é muito disputado, meios povoados, campo de dimensões pequenas e gramado artificial. Nas arquibancadas - divididas, sim, palestrinos à esquerda, bernardenses à direita - muito barulho, fumaça, sinalizadores, cânticos. A mais de 7 mil quilômetros de Johanesburgo, a final da Copa do Mundo é ali. É agora.
Claro, os largos degraus do Baetão são povoados por muitos simpatizantes, talvez mais que torcedores. É gente que gosta de futebol. Ouço alguém comentar que está lá porque não tem rodada na várzea em função do feriado prolongado. Ele tem sua razão.
Os jogos das divisões inferiores têm uma semelhança seja qual for a região do país: é uma verdadeira reunião dos pseudo-boleiros locais. Todo mundo já jogou com todo mundo, todo mundo é amigo do meia-esquerda, todo mundo tinha certeza que o volante ia estourar. Meio que o gol do Pelé na Javari ou o primeiro treino do Garrincha.
Voltando ao jogo, vinte e dois garotos em busca do sonho. O futebol profissional na quarta divisão é quase amador, se é que não é. São jovens que, nitidamente, driblam tão bem zagueiros quanto adversidades e vão chutando a pelota até onde o futebol deixar.
Neste nível, o equilíbrio é muito grande. Difícil ver um time que esteja muito acima dos outros, a média de idade é igual, os orçamentos parecidos, o preparo físico nivelado.
O que me agrada é a formação clássica de ambos os times: linha de quatro atrás, dois volantes pegadores, um meia que sai menos, o outro com a 10 tradicional, um atacante pelas pontas e um nove enfiado na área. Gosto do dez do EC, do centroavante também, que faz um bom pivô. O ponta-esquerda do Palestra mostra habilidade.
No fim do primeiro tempo, o lateral-direito do São Bernardo bateu uma falta na gaveta. Lateral sofre. “Paaaaaaaaaaaaaaaaassa, lateral”. Ninguém é mais cobrado que ele. Ele está ali, correndo rente ao alambrado, com a orelha pronta para ouvir de tudo.
Mas o rapaz abriu o placar e levou a torcida ao delírio. Hugo, o nome dele. Tinha praticamente uma torcida organizada, agasalhos do bairro Ferrazópolis, disposição e gargatas afiadíssimas.
No segundo tempo só deu Palestra. Mas, numa infelicidade do zagueirão, o recuo para o goleiro virou gol contra. O arqueiro vinha bem no jogo, deu azar no lance.
Com 2 a 0 contra, o alviverde seguiu pressionando, e ainda descontou já no fim. Uma bola que nem chegou a balançar a rede, mas o bandeira marcou, correu para o meio, levantou o instrumento e assinalou que a bola tinha sim vencido a linha da meta: gol.
Terminou, 2 x 1 para o Esporte. Olheiros, técnicos, jogadores, torcedores, todos descem as escadas. Quase meio-dia, uns já falam de fome, uns quase caem de sono, outros reclamam da ressaca do dia anterior. Tenho certeza de que saem satisfeitos. Foi uma boa manhã, eu penso quando deixo o municial, beliscando o último amendoim. Enquanto o vendedor, como de praxe, anuncia: “pessoal, tô indo embora”. Bom domingo, Zé Galinha.
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Batateiro-português é o ABCD na Copa do Mundo |
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autor: Paulo Jr. / publicação: 21/05/10
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Anderson Luís de Souza nasceu em São Bernardo há quase 33 anos atrás. Com 20 anos, se destacou jogando futebol pelo Corinthians e logo seguiu para o Benfica, de Portugal, onde começou a relação com o país europeu. Hoje, 13 anos depois, Deco chega à África do Sul para defender a seleção portuguesa pela segunda vez numa Copa do Mundo.
O hoje jogador do Chelsea, da Inglaterra, debutou na equipe então comandada por Luis Felipe Scolari em 2003. Logo diante do Brasil, logo ao lado do técnico que acabara de vencer o Mundial pela seleção canarinho, logo balançando a rede: 2 a 1 para os portugueses, gol de Deco.
O jogador é o representante da Região no maior torneio de futebol do planeta. Os últimos que jogaram pelo Brasil foram o volante Mauro Silva e o atacante Denílson.
Mauro, também natural de São Bernardo, foi campeão em 1994, nos Estados Unidos. No Brasil, jogou por Bragantino, quando foi Bola de Ouro, tradicional prêmio da revista Placar, em 1991, e Guarani, até tentar a sorte na Espanha e atuar por 12 anos defendendo a camisa do Deportivo La Coruña - é o segundo jogador que mais atuou pelo clube.
No meio da seleção jogou os sete jogos do tetracampeonato, ao lado do capitão Dunga e dos meias Mazinho, que substituiu Raí, e Zinho. Com a camisa amarela jogou mais de 50 jogos, e venceu ainda a Copa América de 1997. Hoje, Mauro vive em São Paulo.
Já Denilson nasceu em Diadema. Na várzea de São Bernardo, comenta-se que ele jogou, quando criança, no campo do Valdíbia, na região do Jerusalém, próximo à avenida Capitão Casa. Como profissional, apareceu no São Paulo ainda muito jovem. Com 20 para 21 anos foi vendido para o Bétis, da Espanha, na maior negociação da história do futebol até então. Disputou as Copas de 98 e 2002, onde, apesar de reserva, teve grande destaque. Ponta rápido e habilidoso, foi por muitos anos uma ótima opção de ataque na seleção.
Por clubes, a carreira não foi como o esperado. Rodou muito, passou por Flamengo, futebol francês e até pelo Vietnã. Em 2008, conquistou o Campeonato Paulista pelo Palmeiras, e agora tenta a sorte na Grécia, já aos 32 anos.
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O reforço mora ao lado |
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autor: Paulo Jr. / publicação: 17/05/10
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Legal o empréstimo do centroavante Ney Mineiro, do São Bernardo, ao São Caetano.
Artilheiro do Tigre no acesso à elite do Paulistão neste ano, com 12 gols, Ney tem 28 anos, é experiente e mostrou condições de, no mínimo, ter chance num degrau um pouco mais alto - no caso, a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro.
A boa notícia, a meu ver, é pelo fato dos clubes da Região usarem a proximidade para acompanhar os jogadores que passam por aqui e, quem sabe, otimizar seus elencos a cada circunstância. Para o jogador e para o próprio São Bernardo é muito melhor que Ney Mineiro jogue o Brasileirão ao invés de disputar mais uma Copa Paulista no segundo semestre. E que seja só uma de muitos empréstimos, trocas e negociações do tipo.
No Azulão, Eduardo, Hugo, Talles, Fábio e Mazinho são os atacantes. A dupla de ataque no empate diante do América-RN (3 a 3) foi formada por Eduardo, que marcou um gol, e Talles, substituído por Mazinho. O São Caetano, ainda sem técnico - foi comandado pelo interino Ivan Baitello, tem uma vitória em dois jogos na Série B. Sábado, recebe o Ipatinga no Anacleto.
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O futebol do ABCD sem tevê |
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autor: ABCD Maior / publicação: 4/05/10
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Disse um amigo meu, torcedor do Santo André, que se dependesse da vontade dele o time ficaria para sempre nas divisões intermediárias. Esse meu amigo sobe aqueles longos degraus do Bruno José Daniel e garante que não faz diferença ser o Santos ou o Nacional. Eu o conheço bem e acredito.
Sou suspeito para falar sobre o tema. Fui criado no futebol de várzea da Região, seja indo chupar laranja enquanto meu pai jogava no Irajá, DER, Santa Maria, Fundação (e tantos outros campos e clubes espalhados por aí), seja dentro de campo, quando eu passava as tardes no Clube da Volks, no Vanguarda do campinho ali na descida da Luis Pequini , no Palmeirinha pelos lados da Vila do Tanque, no Cruzeirinho, na Associação dos Funcionários Públicos. Isso, pra mim, é futebol.
A tese do meu amigo andreense é que as divisões intermediárias são mais democráticas. Concordo também. O futebol moderno transformou a batalha entre grandes e pequenos uma guerra de titãs socioeconômica. Assustadora até. Se a história do Campeonato Paulista é uma história de um campeonato de fato estadual, como em nenhum outro, já que a maioria se resume às disputas entre os gigantes das capitais, a modernização daquele velho balípodo do qual eu me apaixonei fez quebrar certas coisas. Entre elas, criou uma polarização cada vez mais evidente dos detentores de dinheiro. Do marketing encomendado.
A camisa outdoor e o salário de R$1 milhão de Robinho não me trazem simpatia. Não consigo me identificar com aquela entrega que poderia ser natural, mas não é. É negócio. Me dá medo. Outro dia um colega me perguntou quem vai fazê-lo chorar no Palestra Itália quando o Marcos pendurar as chuteiras. Eu não sei. Não tenho idéia. Os fantoches do futebol moderno, de fato, não farão.
Por isso o sentimento de ver André, Bernardo e Caetano na elite do futebol talvez não mexa com meu lado de torcedor de arquibancada. Ver o Ronaldo no Primeiro de Maio? Não me soa sincero. Me parece artificial, superficial.
Ronaldo é a perfeita ruptura daquele futebol que encantou a todos até o entre Copas 1994-98. Aí vieram a Nike, Ronaldinho virou R9 e a seleção virou o time da CBF. Pioraram, introduziram os pontos corridos, abriram as pernas para o mercado europeu, as camisas padronizadas, a proibição de subir na grade, de pedir silêncio, de levantar a camisa. Pedalar então? Desrespeito. Chapéu no campo de defesa? Coisa de mau caráter.
Eu não quero que meu futebol de várzea vire isso também.
E, para minha alegria, no sábado, enquanto o São Caetano se preparava para a final do Título do Interior (consolação para os pobres, cada vez mais segregados) e o Santo André acertava os ponteiros para a decisão do Paulistão, entrava em campo, às 11h da manhã do sol do Dia do Trabalho (esse horário faz mal para o Robinho, né?), o Esporte Clube São Bernardo diante do Taboão da Serra na sua volta ao profissionalismo. Peraí, aspas nesse “profissionalismo”, inexistente na quarta divisão.
O jogo terminou 2 a 2, primeiro ponto fora de casa para o antigo São Bernardo, com dois gols de Marcos. No domingo, o Mauaense perdeu por 1 a 0 para o Jabaquara, em Santos. E o Palestra venceu, no Baetão, 2 a 1 com gols de Deyvis e Tiago. Não os vi. Não pude ir ao estádio e não passou em lugar nenhum, óbvio.
Dane-se o moderno “nível técnico” e leve com ele as dancinhas do Fantástico e as gravatas do Vanderlei Luxemburgo. Futebol, por mim e pelo meu amigo andreense, é democracia.
Tão democrático quanto o apelido do autor do gol do Jabuca: Café. Ou a alcunha do destaque do Palestra na estreia: Feijão. E esse Feijão, veja só, há duas semanas acabou com um jogo aqui no Triângulo, terrão em frente à Coop da Café Filho, numa descida da praça Giovanni Breda, a Área Verde. Esse não passou também.
Na minha pátria de chuteiras, não tem espaço pra essa infinidade de Felipes Melos e Gilbertos Silvas. E lembrar que um dia, em Santo André, entrou em campo pela primeira vez com a camisa do Santos um tal de Gasolina. Ainda bem que não há imagines, me deixa imaginar. E lembrar que, hoje, o menino teria um empresário iraniano e seria Edson Arantes, camisa 35 dum campeonato qualquer no leste europeu…
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Mudança de hábito |
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autor: Paulo Jr. / publicação: 27/01/10
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O São Caetano, que estreou vencendo bem o Paulista, empatou o clássico contra o Santo André fora de casa e sapecou uma goleada de 5 a 1 no Sertãozinho, conseguiu, em 20 minutos, no início do segundo tempo, sofrer três gols do então lanterna Rio Claro.
O time do Interior havia estreado com derrota em casa para o Botafogo, perdido para o Paulista e também para o São Paulo. Era o único clube sem pontos no Paulistão – recebeu o Azulão, líder, e venceu por 3 a 1.
Em São Bernardo, o time que pouco criava até então na Série A-2 e que não havia marcado gols em quatro jogos, abriu o placar diante do Votoraty lá pelos 35 minutos do primeiro tempo. Luciano Bebê pegou uma sobra e chutou forte, no ângulo.
O Votoraty, até então, era mais time. Dominou mesmo, com ótima posse de bola, pressionando o Tigre no Primeiro de Maio.
Mas tudo que havia dado errado desde o início da temporada, deu certo. As chances do time de Votorantim pararam na defesa do São Bernardo. Ao Azulão, tudo que havia dado certo, deu errado; três boas investidas do Rio Claro em menos da metade do segundo tempo resultaram em gols.
Quarta-feira para o São Bernardo levar de exemplo, ao menos por ter arriscado mais, principalmente com Raul, que novamente comandou as investidas para cima da zaga rival – cavou amarelos e até a expulsão do zagueiro adversário. Quarta-feira para o São Caetano esquecer. Viajou para passar a semana líder e com grandes chances de, na quinta-feira, ir dormir até no sexto lugar.
É o já falado equilíbrio do futebol paulista. É o futebol…
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Quinto jogo. E a espera pelo primeiro gol do São Bernardo… |
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autor: Paulo Jr. / publicação: 26/01/10
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No jogo de número 200 de sua história, o São Bernardo busca a primeira vitória na Série A-2. Mais que isso, busca o primeiro gol na competição, já que perdeu por 1 a 0 para Rio Preto, União Barbarense e União São João e empatou sem gols com o Pão de Açúcar.
O adversário da tarde desta quarta no Primeiro de Maio é o Votoraty, atual campeão da Copa Paulista e que tem sete pontos no campeonato: venceu Osasco e Marília, empatou com o Guaratinguetá e perdeu para o Flamengo de Guarulhos.
Na última partida como mandante, o Tigre tomou o gol numa infelicidade da zaga, que completou contra um cruzamento da Barbarense. Mas o problema foi mesmo na armação de jogadas. O São Bernardo rodou, rodou e rodou a bola durante todo o segundo tempo, mas, tirando as investidas individuais do bom atacante Raul, que saiu do banco e criou as melhores chances, o sistema ofensivo pouco assustou o time do interior.
Num campeonato de 19 rodadas, chegar a quinta com apenas um ponto já é sim preocupante. Pelo menos quatro clubes, que hoje seriam promovidos, já tem 10 pontos ganhos. Depois dessa partida em casa, o Tigre visita às 10h de domingo o América. Jogo complicadíssimo, ainda mais se for sob o forte calor de São José do Rio Preto.
Sendo assim, a reação tem de começar nesta quarta. E, para isso, o torcedor do São Bernardo precisa soltar o grito do balançar da rede. Já são seis horas de campeonato sem nenhum golzinho anotado. Será que sai?
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